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Saindo do armário

Julho 9, 2009

Vou tirar minha armadura, deixar de lado o papo de ser auto-confiante e auto-suficiente, e gritar aos quatro ventos que eu queria ser filha de pai rico: poder sair com o cartão de crédito dele, não ter que trabalhar pra pagar o aluguel e poder acordar às 10 da manhã de segunda à sexta. Ter de rotina só a faculdade.
Mas não, sou filha de pai pobre, faço conta pro dinheiro aguentar até o fim do mês, acordo cedo de segunda à sexta e deixei de ser ‘poliana’ faz um tempo.
Eu gosto da minha vida, com as responsabilidades e liberdades, eu só queria que tivesse um pouco mais de conforto e mordomia.
Respira fundo, veste a armadura de novo e vamos lá:
Morar sozinha é bem legal.

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Eufemismo

Junho 19, 2009

Segundo a minha sogra:
Não é que eu sou gorda, eu sou é educada. Alguém oferece e eu aceito. Por educação claro.

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Essas coisas de moleques, parte dois

Abril 23, 2009

Eu já disse que eu estudo em malhação? Pois é. Eu estudo em malhação, mas uma versão universitária da novelinha da globo.
É cheio de gente bonita em clima de zueira e azaração.
Eu sou uma das pessoas mais velhas da sala, e das mais pobres também. Tem um cara de 26, uma menina de 28 (que tem cara de 18) e eu, de quase um quarto de século, como andaram dizendo por aí.
Muitos dos alunos saíram do colégio direto pra faculdade (o cara de 26 está na segunda graduação e a menina de 28 tem uma filha de 4 anos no meio do caminho), então, digamos assim, ainda tem muita gente também em clima de colégio.
Ainda tem bilhtinhos com alguma caricatura maldosa que rola pela sala; tem piada de mal gosto, tem muita brincadeirinha e assim por diante.
Dia desses eu fiquei sabendo que um menino (que só está fazendo faculdade por que a mãe mandou), com quem eu nunca tive problema nenhum, pelo contrário, até tinha simpatia, me chamou de chata. Perguntou para uma das meninas que andam comigo, como elas conseguiam me aguentar, sendo eu tão chata. Na hora que ela me contou, minha primeira reação foi dizer que aquele comentário era insignificante pra mim. Men-ti-ra. Perdi metade da aula tentando lembrar o que eu tinha feito para ele me achar tão chata. Não lembrei de nada. Cheguei a conclusão que deviam ser meus comentários em sala, que nunca são poucos.
Daí eu comecei a reparar que os garotos da classe meio que tem medo de mim. Eles chegam e cumprimentam minhas amigas com beijo no rosto, conversam com elas e tudo o mais. Pra mim, eles acenam de longe!
Eu sei que eu já passei da idade deles, conheço mais coisas que alguns, mas esse tipo de exclusão me encomodou. Azar o deles.

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Sad, but is truth

Março 20, 2009

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Eu descobri que eu tenho cara de rola. O nariz é o pau, as buchechas são as bolas.

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Essas coisas de moleques.

Março 17, 2009

Sabe quando você é adolescente, está cansado do seu pai e da sua mãe e promete para si que vai sair daquela casa o mais rápido possível e vai morar sozinho, ter seu próprio canto? Pois bem, eu acho que meu namorado não passou por essa fase.
Ele divide um apartamento de dois quartos com mais três outros caras, em breve serão em 5, ao todo. E ele gosta.
Tá certo, tem uma fase da vida que é melhor viver no rock and roll, mas já foram os 4 anos de faculdade morando em república, e agora ele está no segundo ano sem faculdade, porém com trabalho, em república.
Eu juro que não entendo.

Talvez, na verdade ele nem gosta tanto assim, mas a idéia, de que agora que eu estou morando pela primeira vez em 3 anos na mesma cidade que ele, o assusta.
Outro dia eu estava conversando com uma amiga, e ela perguntou se ele ainda tinha necessidade financeira de dividir o apartamento com tantas pessoas. Eu respondi que não. O que ele não quer, é dividir um apartamento COMIGO.

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A ptimeira vez…

Março 17, 2009

Eu e meu namorado íamos para São Paulo fazer compras no sábado. No domingo eu iria para a casa da minha prima, onde moraria durante o semestre, ou seja, precisávamos de um lugar para dormir no sábado. Com, espaço, só para nós. Optamos por um motel, os dois nunca tinham ido, juntaríamos o útil ao agradável, a necessidade ao prazer. Pelo menos era essa a intenção.
Antes de sair de casa, minha vó perguntou onde dormiríamos no sábado, como não dava para mentir sobre dormir na casa de parentes, já que ela ligaria pra contar que estava chovendo, ou que não estava, falei a verdade: vó, vamos dormir em um motel.
Saímos de Limeira (onde o boyfriend morava) antes das 6 da manhã, fomos para SP. Batemos 25 de março e mais um monte de ruas do centro. Andamos, não comemos, cansamos e às 5 da tarde já tínhamos terminado. Porém, era cedo demais para o pernoite do motel. Fomos pra casa da minha outra vó que mora em Santo André, matamos o tempo, depois fomos para um motel que tinha perto da minha faculdade, e os preços eram em conta (pesquisa em site). Tinha uma fila enorme para entrar, e ia demorar duas horas para que pudéssemos usar o quarto, estávamos tão cansados que quase dormimos no carro. Decidimos pagar mais caro e fomos para outro motel.
Cena de cinema: hidro, sauna, espelho no teto, teto retratil. Quase morri sufocada na sauna, no dia seguinte descobri que o teto retratil aberto dava visão a construção de um supermercado com direito a peões de obra fazendo a laje, a hidro era boa, mas mal usamos. Estávamos tão cansados que dormimos. No dia seguinde acordei com o telefonema da minha prima, a tal onde eu moraria, me perguntando em qual ‘M’ eu estava. Sabe como é família….
Meio-dia saímos do ‘M’ totalizando 5 minutos na sauna assassina, 30 na hidro chata de encher, 2 com o teto aberto, e 10 horas de cama: 9:50 dormindo e os outros 10 minutos fazendo o que quem vai a um motel tem que fazer.

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Tô mais a fim é de bruxa má.

Dezembro 30, 2008

Ai sabe uma coisa que eu detesto? Aquele tipo de gente boazinha demais, poliana demais. Chega a me dar nojo. Aquele tipo de pessoa a quem todo mundo se refere, que fala, que elogia, só porque é boazinha demais.
Não confunda ‘gente boa’ com boazinha. Não, não é isso. É que tem hora que cansa. Porque convenhamos, ninguém é perfeito, tem dias (e mais dias) que se acorda de mau humor. Dai tem neguinho que quer mostrar sua benevolência ainda assim. Tá eu sei, se você tem um problema ninguém tem nada com isso, mas pô, ninguém é de ferro. Welcome to the jungle.
E eu juro que o nome disso não é inveja. Mesmo.
Mas é que às vezes tem gente tão, mais tão legal, que fica chata. Da pra entender?

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Vai pra puta que o pariu, ano velho.

Dezembro 30, 2008

30 de dezembro de 2008. O dia começou com a minha garganta doendo, meu olho vermelho e meu lençol fedendo a mijo de gato.
Tô descendo pro trabalho e piso num cocô de cachorro na calçada. Faxino consultório e dois banheiros, porque hoje, aqui ninguém trabalha.
Descubro que enquanto todo mundo estiver churrascando na sexta, SÓ eu vou trabalhar. Nem uma alma viva vai estar na internet pra falar comigo. Espero que as mortas não saibam usar internet.
Vou trocar meu presente de natal na hering, porque minha mãe comprou um número a menos do que eu uso. Não tem o modelo que eu queria, escolhi outro. Experimento. Teve que ser um número a mais do que eu uso.
Vou pra fiiiiiiila no banco. Uma idosa fura a fiiiiiiiila e lá permanece. E permanece. Quase que o guichê a expulsa. Chega a minha vez. Pago uma conta, a outra, sinto muito, foi pra protesto, vá pagar no cartório. E eu vou. Mas o comunicado havia acabado de chegar, volte na segunda. Nem o cartório vai abrir na sexta!!!!
Acho que primeiro acaba o ano, depois acaba o dia.

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Dezembro 15, 2008

Hoje foi o ultimo dia de inscrição do PROUNI, que era para ter sido há 3 dias atrás, mas sabe comé… brasileiro não aprende e o sistema, que também é brasileiro, não colabora.
Mas a questão nem é essa. Alguém pode me explicar por que é que tem sistema de cotas no PROUNI?
Não vou nem entrar no mérito de que sou a favor, sou contra ou blá blá blá ao sistema de cotas, mas essa tal de Universidade para Todos é para aqueles estudantes de baixa renda, que estudaram todo o ensino médio em escola pública ou estudante de escola particular sendo bolsista integral. Eu gostaria de entender porque nesse caso é que negros, pardos, indigenas, amarelos e deficientes físicos devem ter mais direitos. Sim… porque essa é a primeira vez que o governo na teoria faz alguma coisa para quem não tem mesmo condições de entrar numa faculdade pública. Pra mim, isso sim é preconceito, e mais, é chamar ‘cotistas’ de burros. É, porque todos tem praticamente a MESMA chance, mas 30% das bolsas são destinadas a cotas. Se eu fosse negra, parda, azul, amarela ou vermelha, teria vergonha de me inscrever pelo sistema de cotas, porque estaria assinando meu atestado de burrice. Mas veja bem: EU.

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A primeira vez a gente nunca esquece.

Novembro 27, 2008

Na primeira temporada do meu namoro eu era uma chata insuportável quando o assunto era futebol e meu namorado, um corinthiano, maloqueiro, sofredor. Quando chegou a terceira temporada, meu namorado continuava o mesmo, como eu sabia que se um dos dois não mudasses a briga ia continuar, mudei eu. Assisti à TODOS os jogos do corinthians quando estava com ele e em 99,9% deles, sem reclamar. As brigas acabaram, minha paciência aumentou, eu não passei a gostar de futebol, mas comecei a matar o tempo, por exemplo achando semelhança entre Mano Menezes e Bruce Wills.

Ele é tão chato corinthiano, que quando o time perdeu a Copa do Brasil, eu tentei ligar pra ele, pra consolar e ele não quis falar comigo.

Assim foi durante o ano todo, televisão sagrada de sábado a tarde. Até que ele sugere nossa ida ao Pacaembú, Curintiá x Não sei quem. Vâmo.

Olhei a previsão do tempo antes e a chance de chuva para o dia do jogo era de 92%, Saímos de casa, o tempo fechado, um ar gelado, nem óculos de sol eu levei. Chegando lá, um calor, um sol, aquela coisa mesmo de urubu com azar.

Nosso lado na arquibancada era justo aquele que se o sol não estava em cima, estava na frente. Dois reais cada copo de 300 mls de água. Sem protetor solar. Vai timão.

Daí eu inventei de tomar um sorvete de coco, que os vendedores traziam em caixa de izopor com gelo seco dentro. Me preparei para a primeira mordida, que não chegou a acontecer. Meus lábios ficaram grudados no sorvete, tipo Débi e Lóid, na cena em que um deles, lambe o cano do teleférico. Na hora de tirar, saiu a pele junto e ficaram 4 pontinhos de sangue no sorvete. Eu só fui tomar sorvete de palito, um mês depois.

E assim foi… das 14:30, a hora que sentamos, até às 18:15, a hora que levantamos. Passei uma semana com vergonha de me olhar no espelho. Eu sou branca, passo protetor solar pra ir trabalhar e peguei uma cor de camarão no estádio. Acredite, passou longe de ficar bonito.

O Curintia ganhou, o namorado saiu feliz da vida, ganhei o prêmio namorada de ouro, mas estou dando graças a Deus que o Brasileirão série B já acabou. Agora só ano que vem, na série A.

É por causa dele que eu assisto, mas eu também torço. É aquela velha história: O que você não pede chorando sorrindo, que eu não faço sorrindo chorando?