Posts de março \21\UTC 2011

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Biografia

21 de março de 2011

Crianças são más e adultos usam características físicas para se referirem uns aos outros.

Crianças são apelidadas desde sempre por serem gordas demais, ou por serem magras demais, ou por usarem óculos, ou aparelho no dente, ou por ser nerd, ou por ser burro, enfim, nada satisfaz. Sorte da criança bonita, se você foi uma delas, erga as mãos aos céus. Se não foi, junte-se ao time.

Eu era uma criança que tinha todas as características físicas possíveis e imagináveis para ganhar apelidos, mas como isso exigia muito esforço, eles se atentaram apenas no que não tinha conserto, o nariz.

Até a 2ª série do ensino fundamental, eu era a criança mais alta da sala. Mais alta até do que os meninos. Tipo um monstro. Na pré-escola era mais lamentável. Era uma classe muito pequena, éramos 5 crianças, apenas um menino. As meninas eram todas pequenininhas, bonitinhas, usavam rosa e eram pequenas. Eu era grande, gorda e meu pijama era masculino, porque para o meu tamanho, não tinha pijama feminino na promoção. Conclusão, enquanto minha irmã vestia um ursinho rosa pra dormir, no meu peito vinha o rosto do Michael Jordan estampado. Claro que eu era excluída, e para ficar do tamanho da maioria, eu me encolhia, e ficava corcunda.

Mais ou menos na 5ª série, quando há uma mistura da maldade infantil com os hormônios pré adolescentes, eu descobri que meu nariz era grande. Já parei por hooooooras na frente do espelho tentando enxergar o que os meninos tanto falavam, e eu juro que se eu não me olhasse de perfil, não via problema nenhum. Era nariguda, narigoboto, tucano, e mais delicadezas como essas. Quando me mudei para o interior de SP passei a ser chamada de narizuda, mesmo que quem me chamasse fosse analfabeto, eu continuava me importando.

As piadas começaram dentro de casa também: meu pai, meus tios e avós, também começaram com brincadeiras sobre meu nariz. Meu primeiro namorado insistia para que eu fizesse uma plástica, eu morria de medo, dizia que podia piorar. Segundo ele, era impossível ficar pior.

Entrei na faculdade, no mercado de trabalho e pois bem, como estava me relacionando com pessoas maduras, eu seria eu mesma, não um amontoado de características físicas. É… não. Um amigo da faculdade ao explicar para um amigo dele, que podia me conhecer. Quem eu era:
- Você conhece a Cássia?
- Cássia… hum, não.
- Conhece sim… uma nariguda que fez integração no mesmo dia que você.
- Ahhhhhh, eu sei quem é.

Esse meu amigo é da mesma família que os rinocerontes, cheio de sutilezas, me contou. Foi aí que eu cansei de ter meu nariz como ponto de referência. Namorado e sua família ainda faziam piadas com ele. Depois que eu resolvi procurar um cirurgião plástico, ele resolveu parar. Pois é. Foram 26 anos nas costas e pela primeira vez na vida, eu resolvi que eu queria apelar para cirurgia. Juntei a coragem, levei o namorado a tiracolo e fomos atrás do mágico médico.

O que eu suspeitava também se confirmou. Não é só uma questão estética. Tem um problema de saúde junto. A cartilagem das narinas estão no lugar errado. Então minha narina não tem sustentação, o que faz com que eu não respire direito.

Já pensando no problema de saúde, imaginei que o convênio pagaria a maior parte, o problema é que não cobre na-da. São mais ou menos R$ 9.000 entre equipe médica, anestesista e despesas hospitalares. Sendo a parte do médico podendo ser dividida em até 5 vezes. Querido leitor, sou estagiária e pago aluguel, sabe quando eu vou conseguir juntar essa grana? No dia que a cirurgia custar R$ 27.000. Eu pobre, família pobre, empréstimos na atual fase da vida não são muito considerados, ainda estou pensando no que fazer e como se trata da minha saúde, não vou escolher um médico pelo baixo preço que ele cobra.

Pensei muito e muito e decidi que eu quero mesmo fazer isso, não importa quanto tempo, mais, eu precise esperar. Perguntei para o filhote de rinoceronte se mesmo com o nariz relativamente menor, se ele continuaria a encher meu saco e ele disse que sim. Cheguei a pensar que então não adiantaria de nada eu operar, dai eu pensei e me enchi de palavras bonitas do tipo como: o que importa é o futuro.

(obs: aceito doações sugestões de como conseguir esse dinheiro sem envolver pagamentos por drogas ou sexo)

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Direito do consumidor, pesadelo do fabricante.

9 de março de 2011

Preparem as pedras, porque apesar de não merecê-las, sei que vou ter que enfrentá-las.

Dizem por aí que o PROCON veio pra facilitar a vida do consumidor e eu concordo. O que eu não concordo é com a coerência que esse órgão trabalha.

Bem se sabe que antes, o consumidor era um ser indefeso diante das garras das malvadas empresas, por isso, foi criado o PROCON, uma forma de auxiliar os consumidores a terem seus direitos. Até aí, lindo. O problema é que aquela história de que o cliente tem sempre razão, mesmo quando ele não tem razão NENHUMA.

Por sorte, ou azar, do destino, no meu estágio comecei a trabalhar diretamente com isso, tentando resolver o lado do malvado, a empresa.

Vamos a uns exemplos práticos, mascarando os produtos, pra que não sobre problema nenhum pra mim. hoho.

O cara vai e compra uma faca. O manual de instruções diz que essa faca só corta pães, legumes e frutas e não deve ser usada para cortar carnes ou gelo. Daí o cara, usa a faca no açougue dele. A faca quebra. Ele vai até a assistência técnica autorizada, diz que usava a faca-pão para cortar carne, a AT recusa a garantia, por motivos óbvios dai, o cidadão, entra no PROCON, afinal, o produto dele ainda estava na garantia. O PROCON envia uma carta de notificação, dizendo que a faca era usada indevidamente, com o laudo técnico que a assistência forneceu, indicando mau uso, intermediando o conserto para o cliente ou a devolução do dinheiro. PROCON, seu lindo, me ixprica isso: o cara sabe que estava errado, tem um laudo dizendo que ele estava errado, o manual de instruções diz que cortar carne é errado e o que eu posso fazer por esse fulano além de amaldiçoar até a 5ª geração dele? Ele está errado, ele sabe disso. Se fosse outro caso, até proporíamos o conserto em cortesia, mas ele sabia muito bem que estava errado. Comprou a faca de pão porque era mais barata que a faca de carne. As chances desse malandro ganhar a causa? Todas. O PROCON vai alegar que já se passaram 30 dias que a máquina foi deixada na AT, por isso, o cliente tem direito a uma faca nova ou o dinheiro de volta (fica a dica).

Outro caso mais bizarro ainda.

Dessa vez, a cliente foi comprar uma faca elétrica, e comprou uma com voltagem 110. Porém, ela não prestou atenção quando comprou, e usou no 220, queimou. Levou na AT que recusou a garantia por mau uso. A cliente entrou no PROCON. Consertamos a máquina dela em cortesia. Ela não foi retirar e entrou no PROCON de novo. Dai eu entrei em contato com essa cliente, ela disse que sim, tinha sido avisada que a máquina estava pronta, porém, não queria mais sua máquina 110, mas, sim uma nova, 220. Dai eu perguntei se na nota fiscal constava a voltagem correta do aparelho, ela disse que sim. Mas que a moça da loja não tinha avisado que era 110. No PROCON, não fechamos acordo, então, o próprio funcionário da instituição, a instruiu a levar a causa para o JEC (juizado especial cível), e não pedir a troca da máquina por uma 220, porque se trocássemos, trocaríamos por uma igual, mas sim, a devolução do dinheiro. Oi?

A sorte é que nesse caso, a consumidora aceitou a máquina consertada, porque foi apresentado para o juíz um laudo com fotos comprovando o mau uso, e ela mesma solicitou a retirada da faca elétrica consertada. Foi sorte mesmo, porque eu já vi casos do cliente estar errado e o juíz dizer: ah… mas ele é pobre, da uma televisão, celular, faca-elétrica nova pra ele. O que isso custa pra empresa?
Custa pelo menos a minha paciência, que olha, anda pouca!

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