Você pede desculpas? Você aceita desculpas?

Se eu pudesse dar um conselho, além de use filtro solar, seria: peça desculpas. E eu não estou falando do moral “assuma os seus erros”, não. Por ser muito difícil para muitos se desculpar, quando alguém o faz é surpreendente.

Contextualizando

Quando eu era mais nova minha auto estima era um lixo (o que durou por muito tempo e tem respingos até hoje, mas isso é papo pra outro texto), por isso, eu acabava pedindo desculpas para tudo. Até quando não tinha culpa. Um dia, uma colega de classe me disse: Cassia, para de se desculpar. E minha resposta foi: tá bom, desculpa.

Corta para anos mais tarde, quando eu era babá na Alemanha. Num dos meus primeiros meses na família, eu esbarrei na mesa e disse: entschuldigung (desculpa, em alemão). A mãe da família ficou preocupadíssima, porque eu estava me desculpando com a mesa, e respondeu: calma, Cassia. Está tudo bem, não precisa se desculpar.

Aquilo me fez perceber como eu tinha facilidade em pedir desculpas e em como a família que eu estava, tinha dificuldade para fazer o mesmo e por isso, como valorizavam um pedido sincero.

Minha vida ficou muito mais fácil. Quando eu errava de verdade, eu pedia desculpas, eles aceitavam e a vida seguia. Parece simples, né?

Mas o sabor é amargo

Veja bem. Não quer dizer que eu gosto de errar. Inclusive, às vezes eu me pergunto se tenho algum tipo de problema mental pra cometer uns erros tão bestas. E pior, com gente que eu gosto tanto.

Também não quer dizer que para mim não é dolorido pedir desculpas. É. É doído assumir que errei. Às vezes eu acho que deve ser mais gostoso engolir um porco espinho…

Quando eu dou uma mancada, eu paro, penso, analiso, tento negar a culpa e como geralmente percebo que a culpa é minha mesmo, eu engulo o orgulho, vou e peço desculpas. Eu sempre encontro dois tipos de reação:

1- a pessoa se surpreende com o pedido de desculpas e aceita. Já aconteceu até de me agradecerem por eu ter tido coragem de assumir um erro. Um pedido de desculpas desarma as pessoas, porque elas simplesmente não o esperam. Elas não sabem como agir quando isso acontece.

2- a pessoa acha que pedir desculpas é um sinal de fraqueza e tenta se crescer pra cima de você. Eu já me importei com isso, porque poxa… Você fica vulnerável quando assume um erro. Você mostra que é humano, que falha e o outro tripudia, continua a apontar seus erros. Hoje em dia quando isso acontece eu só falo: tá bom. Tipo:

– desculpa por ter feito/falado isso.

– não, você podia ter pensado antes.

– sim, mas não pensei. Por isso estou me desculpando.

Minha consciência fica tranquila. Porque assim, eu errei, eu me arrependi, eu assumi. Eu vou ficar magoada, vou remoer, ficar choramingando por um tempo, mas como não dá para voltar no tempo. Depois de errar, eu fiz o que podia para reparar.

Mas graças esse segundo caso é minoria.

Considerações finais

  • A dica é, peça desculpas. A gente vive numa sociedade esquisita que se desculpar é tão raro que surpreende. Mas não seja um manipulador, porque se não for sincero, não vale de nada.
  • Não adianta sair pedindo desculpas e não desculpar. Você erra, o colega também. Claro que não tô falando pra você ser trouxa e se deixar ser feito de idiota. Reconheça os manipuladores também.
  • Se você leu tudo isso e pensou: nha, a Cassia é hipócrita… ela disse tudo isso, mas errou comigo e não se desculpou. Anjo, se isso aconteceu, eu achei que não errei, tá? Mas se você quiser vir esfregá-lo na minha cara, pode me chamar que a gente conversa.

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Clitóris = ?

Eu resisti muito para ler 50 Tons de Cinza, tanto que não li nenhum. Mas vi todos os filmes. Por que eu não li? Simplesmente porque eu não estava numa fase de ler, mas eu achei maravilhoso que essa literatura estourou.

E pode parar por aí se você acha que isso não é literatura. Peço licença para minha irmã, para usá-la como exemplo. Dê é o apelido da minha irmã. A Dê não era muito dada à leitura, mas amou a série 50 Tons de Cinza, e depois dessa leu várias outras séries.

Existem livros melhores? Pode ser que sim. Mas eu acho que livro bom é aquele que você lê. Ler é um hábito que ajuda na escrita e, veja só, na leitura. Você começa e você se desafia. Grande Sertão Veredas é um livro difícil de ler, assim disse Manô, minha professora de literatura. Tentei ler? Não e nem vou, assim como não vou ler 50 Tons de Cinza… Puta que pariu! Eu passei três parágrafos tentando acabar de maneira, talvez,  ineficiente, com o preconceito que possa surgir com 50 Tons de Cinza, e não saí do lugar. Enfim, guarde isso, livro bom é o que você lê.

Retomemos

O que eu quero dizer é que, 50 Tons de Cinza abriu o portal da literatura pra muita gente. Não se apegue ao conteúdo. Se apegue ao hábito. E apareceu muito livro no mesmo estilo porque tem quem leia, e que maravilhoso que tem quem escreva.

Preconceitos ultrapassados, vamos ao que interessa. Eu ganhei um Kindle e peguei 30 dias de graça de Kindle Unlimited, que funciona meio que como uma Netflix de leitura.

Não tem muito best seller atual, então eu fui atrás de indicação. Um blog me indicou uma série chamada de A Garota do Calendário. Resumo: uma menina fodida de grana (clichê) começa a trabalhar como acompanhante e, sendo acompanhante, pelo menos nessa série, não quer dizer que ela vai dar pra alguém. Mas às vezes ela dá. São 12 meses, um cliente por mês.

Eu estou no livro seis, junho. Gostei do que eu li até agora? Não. Mas é uma leitura tão fácil que eu quase pratico a leitura dinâmica e não vou parar. É uma leitura boa? Não dentro do que eu curto. Eu fico puta a cada livro novo (e não citarei os motivos pra não dar spoiler). Porém, esqueça tudo isso, vamos falar de um motivo de risada nesse livro: sinônimos para clitóris.

PRA QUÊ APELIDAR CLITÓRIS?

Isso foi gritando mesmo. O que acontece é o seguinte: sinceramente, eu não acho que funcione como sinônimo, eu acho que é pra ser brega (ou romântico, você me diz no final) mesmo. Acontece que cada hora, o livro aparece com um sinônimo de clitóris diferente.

Pausa aqui. Clitóris, de acordo com a primeira explicação que eu achei no Google:

  1. pequeno órgão erétil do aparelho genital feminino, situado na porção mais anterior da vulva, que se projeta entre os pequenos lábios, e é composto de uma glande, um corpo e dois pedúnculos.

Em resumo, é um baita de um órgão sexual feminino que merece dedicação. E a série Garota do Calendário, sabiamente, não gosta de repetir palavras, e achou os mais diversos sinônimos para esse semideus. Entre eles: NERVO DE PRAZER, BOTÃO DE FLOR, FEIXE DE NERVOS SENSÍVEIS,  PROTUBERÂNCIA INCHADA, NÓ SENSÍVEL.

Em um dos livros, a personagem principal está tendo um relacionamento com um cara que ela descreve como The Rock. Se você não lembra do The Rock, veja imagem abaixo.

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Taí, The Rock grandão, musculosão, dizendo: SUA FLOR ESTÁ PRONTA PARA SER COMIDA. Não anjo, não tá. Sério… você levaria a sério um cara olhando pro seu clitóris, pra sua vagina, pra sua buceta, dizendo: sua flor está pronta pra ser comida?

Se sua resposta for sim, pode ler A Garota do Calendário, porque esse livro é pra você!

Se você respondeu não, pode ler do mesmo jeito, porque é fácil, e eu não vou passar por isso sozinha.

E você? Põe apelido?

Daí, que quando a ideia de transformar esse assunto veio à cabeça, eu botei uma caixa de respostas no meu Instagram Storie (@cassiapires), querendo saber o que as pessoas já viram ou já apelidaram por aí. Além do que eu citei do livro, seguem abaixo as inovações:

PIPINHA

THIRDA

CAMPAINHA DO DIABO

FLOR DE MARACUJÁ

SININHO

CENTRO DE CALOR

E uma resposta do Gian (meu marido, que conhece meu FEIXE DE NERVOS sensíveis há quase 14 anos) dizendo: “Nunca tinha pensado em um nome pra ele =/”.

Nem pense, meu anjo. Em time que está ganhando não se mexe. Quer dizer, se mexe, mas não com apelidos.

 

 

 

 

Porque na minha época…

Há uns anos, eu e minha melhor amiga da vida toda (como ela gostava de nos definir) estávamos voltando do trabalho, reclamando da vida. Porque a gente saía do trabalho e tinha que ir pra faculdade. No alto da nossa arrogância jovem-adulta, a gente se achava muito guerreira e falávamos da geração que viria depois da gente, que eles teriam muito mais privilégio.

Entramos numa viagem de falar como achamos que os mais velhos falam, nossos chefes ou pais, e brincamos de “na minha época”, como a gente diria para a futura geração, nossos funcionários ou filhos:

– Porque na minha época, a gente tinha que trabalhar e ir pra faculdade, não é que nem você, que só vai pra faculdade.

– Porque na minha época, a pessoa só entrava no orkut se era convidado, agora todo mundo tem facebook.

Enquanto a gente falava, mesmo sendo em tom de brincadeira, porque esses exemplos aí eram piadas, a gente percebia o quanto a gente era privilegiada. Enxergamos como esse negócio de “Porque na minha época” é atemporal. Minha vó se vangloriava das dificuldades dela frente às da minha mãe. Minha mãe adorava jogar na minha cara as dificuldades dela, e é provável que um dia eu faça isso com a minha sobrinha.

E daí eu vivo pensando nisso, em como as gerações gostam de competir o sofrimento e a vivência da simplicidade, mas se esquecem que essas definições mudam justamente de geração pra geração.

Há uns tempos, uma influencer que eu amo estava criticando esta geração nova, que está despontando no mercado de trabalho. Como eles reclamam, como são mimimi (importante pontuar que eu odeio a expressão mimimi), frustrados. Para eles, textos de 2.200 caracteres já são textão, não sabem ouvir não e blá blá blá. Eu acho que todas essas características podem até ser verdade, e comparado com a geração anterior, podem até ser negativas. A questão é que cada geração é um reflexo de uma série de fatores, principalmente do momento histórico que está inserido.

A mesma coisa o Roberto Justus no novo O Aprendiz. A nova temporada do programa é composta apenas por influenciadores digitais, a profissão mais desejada da atualidade, talvez. Vi um vídeo que apareceu no meu Linkedin, de uma situação em especial. Ele está se dizendo decepcionado com o desempenho de uma equipe e veja só… na época dele ele tinha que usar a Barsa, não tinha Google!!! Gente, que mania besta é essa de competir entre quem sofreu mais?! A geração anterior a do Justus nem Barsa tinha e se a gente continuar assim, vai sair um homem das cavernas, desenhando na pedra, que nem idioma tinha, reivindicando a posição, merecidamente, de guerreirão.

Então a gente tem que aceitar?

Quer dizer que os millenials devem viver a síndrome de Gabriela (eu nasci assim, eu cresci assim, vou ser sempre assim, Gabrieeeeela) e não mudar para se adaptar a um mercado de trabalho com valores diferentes? Claro que não! Mas nós – mais velhos (e eu me tornei a tiazona que escreve textão sobre como lidar com os mais jovens…) – também devemos entender quem está vindo por aí, sem esse mar de crítica e comparação. Isso é chato, arrogante e não agrega. Todo mundo precisa se adaptar. Sempre. A tudo.

Compartilhar uma experiência é sempre válido. Boa parte dos livros mais vendidos são biografias e isso não é à toa. A gente gosta de saber sobre o que o outro viveu. Isso nos inspira. Mas se por num pedestal de que só cresce quem sofre, não é empático. E perdemos.

Perdemos porque achamos que o problema do outro não é grande. Depressão é mimimi, estresse é frescura, bullying é coisa que só incomoda gente fraca.

A tecnologia avança, o mundo muda e os problemas se tornam outros. Não fique preso pensando que só a sua geração, ou a que veio antes dela sofreu. Talvez os problemas não são mais os mesmos, mas não quer dizer que eles são menores para quem os está vivendo. São só diferentes.

Além disso, a mão de obra também é mercado consumidor. Vou ficar reclamando que meu texto não é lido porque é longo? Não, vou fazer um vídeo também. Conheça e respeite o seu público, o seu companheiro de trabalho, o seu filho, etc. A gente vive numa sociedade com gente de tantas gerações, não são vilas isoladas por pessoas só da mesma idade, né?

É questão de tempo, em 25 anos os nascidos em 2005 estarão reclamando dos que nasceram em 2020. E assim caminha a humanidade, num ciclo de reclamação e comparação infinitos. Mas não custa a gente tentar mudar isso hoje, talvez a geração futura venha sem esse defeito de fábrica.

Cassia, você é feminista?

No último jogo do Brasil na Copa eu fui trabalhar com essa camiseta:

Jogue como uma garota

Comprei pela internet de uma marca incrível, me achei linda e saí de casa toda feliz. Assim que cheguei no escritório, no entanto, percebi que, pelo visto, só eu tava me achando tão linda assim. Quanto entrei pela porta, as pessoas pararam para ler o que estava escrito:

– “Jogue como uma garota”? Não entendi…

– É que se tem o hábito de dizer, quando um cara tá jogando mal, que ele tá jogando que nem uma garota, tá jogando que nem mulherzinha, e não é assim, jogar como uma garota é jogar bem, também.

Pronto, o inferno estava instaurado. A pergunta seguinte, e que provavelmente vai mudar toda a minha relação com as pessoas com quem trabalho, foi:

– Cassia, você é feminista?

Uai… sou, sou muito. E do jeito que as pessoas começaram a me olhar, me senti como quando descobriram que a Beyoncé é negra, no SB 50 (saudades, Peyton <3). Claro, nas devidas proporções, afinal ela é a Beyoncé!

– Então você é a favor de direitos iguais?

– Sou (mas na minha cabeça eu só pensava: como assim, você não é?).

– Então pra você mulher também tem que descarregar caminhão de cimento?

– Se ela quiser, se ela tiver força pra isso, ela pode trabalhar descarregando caminhão de cimento.

– Então você não gosta do Bolsonaro?

Aqui eu encerrei a discussão. O comentário seguinte foi algo como: “então bora lá desmontar a transmissão do ônibus, já que você quer direitos iguais”.

Feminazi Megazorde

Eu já entrei em muita treta sobre feminismo, já peguei ranço de muita gente que não concordava comigo, ao ponto de ser chamada de feminazi megazorde. O apelido que foi dado para incomodar, eu acabei adotando.

Hoje, discuto muito pouco sobre o assunto e aprendi com amigas, muito pacientes e mais evoluídas do que eu, a escolher bem as discussões que eu entro. Nem todo mundo vale à pena.

De vez em quando dou uma escorregada, faço umas brincadeiras nada a ver, mas sempre tem alguém pra me resgatar e me mostrar onde eu peguei pesado, onde eu tô errando, e isso é lindo.

Ser feminista não quer dizer que eu odeio os homens, que eu profano imagens religiosas e sou contra a família. Para mim, e de maneira bem simplificada, quer dizer apenas que eu não quero ser subjugada pelo meu gênero. Quero o direito de trabalhar com o que eu quiser e ser paga justa e igualitariamente por isso, à segurança e sobre o meu corpo. E não só para mim.

Quanto ao jogo da seleção, a gente sabe o resultado. Eliminado pela Bélgica nas quartas de finais ¯\_(ツ)_/¯.

 

 

Me desculpa, Ítalo

Crise, meu desemprego, sas coisas do dia-a-dia, me fizeram olhar minha fatura do combo TV+internet+telefone fixo pra ver quanto eu estava pagando e ver quanto dava para baixar. Eis que buuum: as duas últimas contas estavam muito mais altas do que as anteriores.

Em uma, a cobrança extra era pela visita de um técnico por defeito inexistente. A outra era uma taxa por um downgrade de banda larga: de 15Mb para 10Mb. Respirei fundo e liguei pra central de atendimento. Foram exatos 3:35 minutos até chegar a um atendente, e olha que “assuntos financeiros” era o item 2 do menu eletrônico. O Ítalo me atendeu.

O Ítalo, que devia estar em mais um dia normal de trabalho, primeiro disse que a cobrança pela visita do técnico estava errada, mas sobre a redução da banda larga, o sistema só conseguiria abater 80% da conta. Eu disse que isso não era aceitável, porque não fui eu quem pedi por essa redução, mas sim a operadora, que não conseguindo entregar o valor contratado, diminuiu por conta própria. Ele me botou em espera, pra ver o que poderia ser feito. Voltou pouco tempo depois, dando a boa notícia que seria possível abater os 100% da taxa cobrada pelo downgrade, mas não seria possível abater a visita do técnico.

Pronto. Eu tentava falar, ele tentava também e ninguém mais ficava quieto. Eu comecei a gritar, falei palavrão, pedi pra ele ficar quieto e me ouvir e por fim, como criança mimada, desliguei o telefone na cara dele, tremendo de raiva.

Depois de amaldiçoar as gerações futuras da família do menino, eu cai em mim e fiquei com vergonha pelo tratamento que dei pro Ítalo, que não tem a mínima culpa pela incompetência da empresa em que trabalha.Por isso, Ítalo, me desculpe. Eu evito ao máximo falar com telemarketing, sei que o salário é baixo, o estresse é alto e por isso, as empresas que contratam tem alta rotatividade e baixo investimento nos seus funcionários, mas não justifica as patadas que o Ítalo levou. E que mais um monte de atendentes deve ter levado hoje.

Quanto à Vivo, melhorem, por favor.

Ainda ontem, chorei de saudades…

Um dia eu tava cantando uma música muito ruim enquanto lavava louça. Devia ser algum pagode pé de chinelo, funk ou pop rock de péssima qualidade. Minha vó chegou na cozinha in-dig-nada! Ela me colocava pra ouvir Chopin quando eu era mais nova, e agora, tava cantando uma porcaria daquelas. O que as amigas dela iam pensar? E pra mostrar seu ponto, soltou a seguinte pérola: Moacyr Franco é que é cantor de verdade.

Quando eu consegui parar de rir, comecei a cantar a única música do Moacyr Franco que eu conhecia, que todos os cantores sertanejos do mundo já tinham regravado:

“Ainda ontem chorei de saudade
Relendo a carta, e sentindo o perfume
Mas que fazer com essa dor que me invade
Mato esse amor ou me mata o ciume”

Quando terminei de cantar, virei pra minha vó e falei: isso também é Moacyr Franco. Em defesa do cantor ela respondeu: todo mundo faz merda na vida, essa foi a dele!

Alguns anos se passaram e quando eu estava fazendo intercâmbio fora liguei pra ela no dia das mães. Ela disse que tinha lembrado de mim no dia anterior, porque o Moacyr tinha ido no programa do Raul Gil e cantado aquela música que eu enchia o saco dela.

Foi uma das últimas vezes que eu falei com a minha vó.

Muitos mais anos se passaram e o head coach do meu time de flag aparece com um amistoso contra um time sub 15 masculino que ele treina. Não lembro da onde surgiu o assunto, mas ele me disse que o filho do Moacyr Franco estaria no jogo. Eu pedi para tirar uma foto com o menino, sem explicar o porquê.

No final do jogo o HC me chama e me apresenta o garoto. Eu abracei, beijei, quis guardar num potinho e tirei a danada da foto. Ele não entendeu nada e sofreu calado. Voltei pra casa  e não tinha carta pra reler, mas chorei, mesmo assim de saudade.

Tinder Sincerão

Se eu tivesse uma conta no Tinder e se ele fosse sincero, essa seria a minha foto de perfil, que eu acabei de tirar, unica e exclusivamente para esse post:

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Eu diminuí um pouco para você não ter que descer tanto assim a barra de rolagem, mas se você ampliar vai ver que: tenho mancha no nariz (espinha) e em cima do lábio (nascença); eu ainda não lavei o olho; minha sobrancelha tá despenteada; tem uma cicatriz super sexy no olho direito (mas na verdade, tá do lado esquerdo); meu cabelo é bom sempre.
E é bom você saber disso porque, em 95% do meu tempo eu estou assim, com a exceção da remela no olho. Eu lavo com mais frequência, mas é que eu estou escrevendo isso de pijamas ainda. Aliás, pijamas são um detalhe importante. Já vamos voltar nele.

Sobre mim

Altura mediana: não sou um minion, mas preciso de um banquinho pra pegar as coisas nas prateleiras mais altas.
Peso: já fui esquelética, já fui gorda. Hoje em dia, dependendo da roupa, até fico gostosa. Só que a vida não é feita de momentos que você usa apenas roupas que te deixam gostosa. E eu gosto de pijamas não sexy. Não estou leve.

Eu tiro caquinha do nariz sem muita cerimônia. Na verdade, um dos meus maiores desesperos é ter gente na minha casa e eu sentir aquela catota generosa incomodando. Ter que levantar, ir no banheiro para tirar, parece que estraga um pouco o prazer.
Também solto pum. Eu juro que não é dos mais fedidos, seguro quando tem gente perto. Mas eu peido. E gosto. Não consigo fazer cocô fora de casa e falo merda sobre merda sem muito pudor.
No inverno, de final de semana, eu já fiquei um dia sem tomar banho, sem tirar o pijama. E sem escovar os dentes. Acho que é um ritual mágico que acontece todos os anos. Não tire isso de mim.

É difícil acreditar depois de tudo isso, mas eu não sou uma pessoa sem higiene. Eu até que sou limpinha e mais ou menos cheirosa. Mais ou menos porque minha axila do lado direito fede, embora eu seja trabalhada no desodorante. É só a do direito. A do esquerdo cheira rosas.

Minhas calcinhas não são sexy, mas são confortáveis. A única função dos meus sutiãs é segurar os meus minúsculos peitos.

Tenho 31 anos, sou formada em relações internacionais, difícil alguém ganhar de mim no Perfil, sou péssima com números e localização.

Interesses/ O que eu gosto de fazer

Sou muito preguiçosa, tenho alergia a mato, picadas de inseto me deixam com vergões. Por isso, esse negócio de trilha, caminhada na natureza, não rola. Mas eu gosto sim de praia e de bater perna em cidades históricas.

Eu gosto de sair, mas eu não gosto de lugares muito cheios, com música muito alta que não da nem pra conversar. Eventualmente até vai. Mas meu rolê é de velho mesmo.

Eu amo comer e eu como muito, mas tenho preguiça de cozinhar, embora eu saiba. Não deixo de comer alho, cebola ou shimeji. Não gosto de azeitonas ou polenta. Eu também bebo. Já bebi até cair. Já parei de beber.

Adoro ficar o dia inteiro deitada no sofá, de pijamas, assistindo programa de mulherzinha ruim. Posso ver o mesmo filme adolescente mil vezes e posso chorar em todas elas. No começo eu posso até ser interessante e sair o tempo todo, mas depois eu vou acabar no sofá.

Eu jogo flag de sábado e domingo, invariavelmente. Deixei de ir quando o médico ameaçou engessar meu braço por causa de um dedo quebrado e quando meu vô foi cremado.

O que eu procuraria, se estivesse procurando

Não muito gordo, nem muito magro. Não fuma, não usa dorgas, não usa bermuda de tacktel. Não é machista, não liga de’u ser feminista, não é um analfabeto político e sabe conjugar verbos.

Informações adicionais.

Eu já disse que sou preguiçosa e adoro ficar de pijamas?