Me desculpa, Ítalo

Crise, meu desemprego, sas coisas do dia-a-dia, me fizeram olhar minha fatura do combo TV+internet+telefone fixo pra ver quanto eu estava pagando e ver quanto dava para baixar. Eis que buuum: as duas últimas contas estavam muito mais altas do que as anteriores.

Em uma, a cobrança extra era pela visita de um técnico por defeito inexistente. A outra era uma taxa por um downgrade de banda larga: de 15Mb para 10Mb. Respirei fundo e liguei pra central de atendimento. Foram exatos 3:35 minutos até chegar a um atendente, e olha que “assuntos financeiros” era o item 2 do menu eletrônico. O Ítalo me atendeu.

O Ítalo, que devia estar em mais um dia normal de trabalho, primeiro disse que a cobrança pela visita do técnico estava errada, mas sobre a redução da banda larga, o sistema só conseguiria abater 80% da conta. Eu disse que isso não era aceitável, porque não fui eu quem pedi por essa redução, mas sim a operadora, que não conseguindo entregar o valor contratado, diminuiu por conta própria. Ele me botou em espera, pra ver o que poderia ser feito. Voltou pouco tempo depois, dando a boa notícia que seria possível abater os 100% da taxa cobrada pelo downgrade, mas não seria possível abater a visita do técnico.

Pronto. Eu tentava falar, ele tentava também e ninguém mais ficava quieto. Eu comecei a gritar, falei palavrão, pedi pra ele ficar quieto e me ouvir e por fim, como criança mimada, desliguei o telefone na cara dele, tremendo de raiva.

Depois de amaldiçoar as gerações futuras da família do menino, eu cai em mim e fiquei com vergonha pelo tratamento que dei pro Ítalo, que não tem a mínima culpa pela incompetência da empresa em que trabalha.Por isso, Ítalo, me desculpe. Eu evito ao máximo falar com telemarketing, sei que o salário é baixo, o estresse é alto e por isso, as empresas que contratam tem alta rotatividade e baixo investimento nos seus funcionários, mas não justifica as patadas que o Ítalo levou. E que mais um monte de atendentes deve ter levado hoje.

Quanto à Vivo, melhorem, por favor.

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Ainda ontem, chorei de saudades…

Um dia eu tava cantando uma música muito ruim enquanto lavava louça. Devia ser algum pagode pé de chinelo, funk ou pop rock de péssima qualidade. Minha vó chegou na cozinha in-dig-nada! Ela me colocava pra ouvir Chopin quando eu era mais nova, e agora, tava cantando uma porcaria daquelas. O que as amigas dela iam pensar? E pra mostrar seu ponto, soltou a seguinte pérola: Moacyr Franco é que é cantor de verdade.

Quando eu consegui parar de rir, comecei a cantar a única música do Moacyr Franco que eu conhecia, que todos os cantores sertanejos do mundo já tinham regravado:

“Ainda ontem chorei de saudade
Relendo a carta, e sentindo o perfume
Mas que fazer com essa dor que me invade
Mato esse amor ou me mata o ciume”

Quando terminei de cantar, virei pra minha vó e falei: isso também é Moacyr Franco. Em defesa do cantor ela respondeu: todo mundo faz merda na vida, essa foi a dele!

Alguns anos se passaram e quando eu estava fazendo intercâmbio fora liguei pra ela no dia das mães. Ela disse que tinha lembrado de mim no dia anterior, porque o Moacyr tinha ido no programa do Raul Gil e cantado aquela música que eu enchia o saco dela.

Foi uma das últimas vezes que eu falei com a minha vó.

Muitos mais anos se passaram e o head coach do meu time de flag aparece com um amistoso contra um time sub 15 masculino que ele treina. Não lembro da onde surgiu o assunto, mas ele me disse que o filho do Moacyr Franco estaria no jogo. Eu pedi para tirar uma foto com o menino, sem explicar o porquê.

No final do jogo o HC me chama e me apresenta o garoto. Eu abracei, beijei, quis guardar num potinho e tirei a danada da foto. Ele não entendeu nada e sofreu calado. Voltei pra casa  e não tinha carta pra reler, mas chorei, mesmo assim de saudade.

Tinder Sincerão

Se eu tivesse uma conta no Tinder e se ele fosse sincero, essa seria a minha foto de perfil, que eu acabei de tirar, unica e exclusivamente para esse post:

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Eu diminuí um pouco para você não ter que descer tanto assim a barra de rolagem, mas se você ampliar vai ver que: tenho mancha no nariz (espinha) e em cima do lábio (nascença); eu ainda não lavei o olho; minha sobrancelha tá despenteada; tem uma cicatriz super sexy no olho direito (mas na verdade, tá do lado esquerdo); meu cabelo é bom sempre.
E é bom você saber disso porque, em 95% do meu tempo eu estou assim, com a exceção da remela no olho. Eu lavo com mais frequência, mas é que eu estou escrevendo isso de pijamas ainda. Aliás, pijamas são um detalhe importante. Já vamos voltar nele.

Sobre mim

Altura mediana: não sou um minion, mas preciso de um banquinho pra pegar as coisas nas prateleiras mais altas.
Peso: já fui esquelética, já fui gorda. Hoje em dia, dependendo da roupa, até fico gostosa. Só que a vida não é feita de momentos que você usa apenas roupas que te deixam gostosa. E eu gosto de pijamas não sexy. Não estou leve.

Eu tiro caquinha do nariz sem muita cerimônia. Na verdade, um dos meus maiores desesperos é ter gente na minha casa e eu sentir aquela catota generosa incomodando. Ter que levantar, ir no banheiro para tirar, parece que estraga um pouco o prazer.
Também solto pum. Eu juro que não é dos mais fedidos, seguro quando tem gente perto. Mas eu peido. E gosto. Não consigo fazer cocô fora de casa e falo merda sobre merda sem muito pudor.
No inverno, de final de semana, eu já fiquei um dia sem tomar banho, sem tirar o pijama. E sem escovar os dentes. Acho que é um ritual mágico que acontece todos os anos. Não tire isso de mim.

É difícil acreditar depois de tudo isso, mas eu não sou uma pessoa sem higiene. Eu até que sou limpinha e mais ou menos cheirosa. Mais ou menos porque minha axila do lado direito fede, embora eu seja trabalhada no desodorante. É só a do direito. A do esquerdo cheira rosas.

Minhas calcinhas não são sexy, mas são confortáveis. A única função dos meus sutiãs é segurar os meus minúsculos peitos.

Tenho 31 anos, sou formada em relações internacionais, difícil alguém ganhar de mim no Perfil, sou péssima com números e localização.

Interesses/ O que eu gosto de fazer

Sou muito preguiçosa, tenho alergia a mato, picadas de inseto me deixam com vergões. Por isso, esse negócio de trilha, caminhada na natureza, não rola. Mas eu gosto sim de praia e de bater perna em cidades históricas.

Eu gosto de sair, mas eu não gosto de lugares muito cheios, com música muito alta que não da nem pra conversar. Eventualmente até vai. Mas meu rolê é de velho mesmo.

Eu amo comer e eu como muito, mas tenho preguiça de cozinhar, embora eu saiba. Não deixo de comer alho, cebola ou shimeji. Não gosto de azeitonas ou polenta. Eu também bebo. Já bebi até cair. Já parei de beber.

Adoro ficar o dia inteiro deitada no sofá, de pijamas, assistindo programa de mulherzinha ruim. Posso ver o mesmo filme adolescente mil vezes e posso chorar em todas elas. No começo eu posso até ser interessante e sair o tempo todo, mas depois eu vou acabar no sofá.

Eu jogo flag de sábado e domingo, invariavelmente. Deixei de ir quando o médico ameaçou engessar meu braço por causa de um dedo quebrado e quando meu vô foi cremado.

O que eu procuraria, se estivesse procurando

Não muito gordo, nem muito magro. Não fuma, não usa dorgas, não usa bermuda de tacktel. Não é machista, não liga de’u ser feminista, não é um analfabeto político e sabe conjugar verbos.

Informações adicionais.

Eu já disse que sou preguiçosa e adoro ficar de pijamas?

 

 

I like you just as you are!

Eu não sou uma boa amiga para a maioria das pessoas. Como eu sempre digo, eu sou grossa, e o status de amizade costuma me dar a falsa impressão de que eu tenho a obrigação de ser muito sincera.

Exemplos disso:

1- na adolescência fiquei sabendo por uma amiga que o namorado da minha melhor amiga estava traindo ela. Liguei pro cara e disse: você tem até amanhã às 7h da manhã para contar para ela. Se você não contar, conto eu.
Ele não contou, eu contei. Eles continuaram juntos e minha amizade com a menina nunca mais foi a mesma.

2- uma grande amiga que está com canelite foi tirar sarro do namorado que também começou a sentir dores na canela. Eu mandei um áudio estressadíssimo para ela no whatsapp explicando que o namorado dela é atleta e se ele está com dor é por overtraining e não falta de fortalecimento. Já ela, além de não fortalecer, abusa nos treinos e shows e NÃO ESTÁ LEVE.
A frase “você não está leve” vem sendo jogada na minha cara constantemente. Eu já pedi desculpas, já disse que era recalque, culpei a TPM. Mas no fundo ela sabe que não está leve, rs. Ainda somos amigas.

3- uma outra grande amiga me perguntou se uma foto que ela tinha postado no facebook estava boa, porque tinha dividido opiniões e ela só confiava na minha. Eis minha resposta:
– Maquiagem branca de mais. Na verdade, migs, me choquei vendo cê dar uma cagada dessas.
– Foi o flash dessa porra. Excluída!
– Eu ou a foto????!
– A foto! Graças a Deus você existe.
Ainda somos amigas.

Eu juro que estou tentando ser mais delicada, mas no fundo, a verdade é que só fica ao nosso lado pessoas que nos aceitam do jeito que a gente realmente é. E nesse caso, essas duas últimas me amam como Mark Darcy amava Bridget Jones: just as you are!
(e a recíproca é verdadeira).

O que aprendi na terapia

1- que essa minha história de ser sincera e falar o que penso/sinto funciona como uma uma porta de vidro: da mesma forma que me protege, me expõe.
Às vezes dou uma escorregada, a língua é mais rápida do que a cabeça, enviei algumas pessoas para lugares inóspitos, mas é aprendizado. Afinal….

2-…ninguém muda por decreto.
Sabe isso de “a partir de segunda eu não como mais chocolate”, ou “eu nunca mais vou discutir política com gente burra”?  Mudanças radicais e repentinas geralmente não funcionam. Hábitos de uma vida são muito difíceis de mudar do dia pra noite. Tem quem consiga e se você é um desses, parafraseio o grande mestre Wesley Safadão  e “palmas pra você! Você merece o título de pior mulher do mundo“. Mas comigo e pra maioria dos terráqueos é gradativo. Um passo de cada vez. Por isso…

3- …não se cobre demais, repeite o seu tempo e tenha uma fala amorosa e compreensiva com você.
Tipo: eu saí da dieta de novo, comi um big tasty (true story). WHAT’S WRONG WITH ME!!!! Calma gata. Se desesperar não vai eliminar o lanche do seu corpo, pelo contrário. Se não te fez bem, vai te ajudar a pensar melhor da próxima e bora lá. O que não significa que você não precisa criar…

4- …autorresponsabilidade.
Parece até besta de falar, mas veja só, a responsabilidade das suas decisões é sua. A culpa não é do bolo que sua mãe fez, nem da sua mãe que fez o bolo. Nem do fulaninho que te chamou no whastapp e você não conseguiu cortar. Nem daquele último episódio da temporada de uma série que te prendeu e atrasou o seu trabalho. Tudo foi escolha S.U.A.

Por fim, e não menos importante…

5- …você não consegue controlar os outros.
Muitas vezes nas minhas sessões de análise eu começava minha história contando dos outros. A primeira vez que eu ouvi: a gente está aqui para falar dos seus motivos, não os da sua mãe (gato, cachorro, Gian, namoradinho de infância), foi um tapa na cara necessário. Tentar entender porque alguém teve alguma atitude em vez de outra, só nos leva para o mar dos “e se”. Eu posso tentar entender o que tal ação causou em mim, empaticamente, posso até me colocar no lugar do outro. Mas não consigo controlar os outros e tentar fazê-lo só vai me custar mais sessões de terapia!

Agora só falta botar em prática!

Para eu dar o nome

E no meio de tanta música de fossa que vai de Chico Buarque (Eu te amo) a Los Hermanos (Sentimental), passando por Adriana Calcanhoto (Depois de ter você), tenho passado meus dias em um poço de hormônios adolescentes. E assim como na adolescência, já até esqueci de comer. Por isso, peço de antemão: me desculpem pelo o que eu disse quando estava com fome.

Daí, eu que dava conselhos prazamiga, me peguei assim, desaconselhável. Eu, que não falava de sentimentos, muito menos de relacionamentos, criei um jornal, quase um classificado, para ver se alguém me dava um tapa na cara pra voltar a realidade. Não levei.

Eu, que falo enquanto escrevo, me peguei numa diarreia verbal e tive um texto para tudo, menos para o que eu queria. Tentei papel e caneta, tentei word, tentei blog. Eu, que dificilmente tenho problemas para falar o que penso, sufoquei com as palavras engasgadas.

Que sempre detestei a ideia de dar tempo ao tempo, resolvi experimentar. E mesmo tendo a certeza de que nem tudo está sob controle, deixar assim ser controlada não foi do meu feitio.

Me peguei querendo (re)conquistar alguém e percebi que nem eu gostaria de mim. Eu que sabia tão bem quem eu era, não me reconheci. Ou me conheci sendo quem eu não queria. A auto confiança virou insegurança e de repente eu não sabia se queria quem eu tinha. Ou não merecia?

No meio, eu só queria ficar sozinha. Como não consegui fugir de mim e, por ser minha pior companhia, me atirei nos meus amigos-boia-salva-vidas e os afoguei com conversas, choros e risadas.

Sempre enchi a boca pra falar que eu não sou do tipo de pessoa que manda indiretas, que não sabe paquerar porque ao menor indício de paixonite já deixa o destinatário ciente. Só que cada um dos últimos textos eram para alguém, embora o motivo de piada ainda fosse eu.

Pela primeira vez um texto foi pensado minuciosamente antes de ser publicado (e pela primeira vez eu usei a palavra minuciosamente). No começo, ele até dizia mais sobre outros do que sobre mim e quando percebi, voltei e refiz. Esse é por mim, para mim, para eu dar o nome. Depois de quase um mês da primeira palavra digitada, estava esperando morrer de amargura para poder conclui-lo, o que não aconteceu. Então acaba assim, sem fim. 

 

 

 

 

 

 

 

 

A menina que era amada de mais

E ouvindo a história de uma amiga, lembrei do poema Quadrilha de Carlos Drummond de Andrade.

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Essa é a minha versão dos fatos século XXI

A menina que era amada de mais

João amava Teresa, Raimundo amava Teresa, Joaquim amava Teresa, que amava alguém, que também amava Teresa.
Acontece que Maria amava Joaquim. E mais alguém nessa história devia amar João e Raimundo.
Conclusão: se organizasse direitinho, todo mundo transava!