SaudadeX – e não se trata de miguxês.

Foi impossível viajar para o Rio e não comparar com São Paulo. Começou no ônibus, e cariocas que me perdoem… A cidade à primeira vista era bem feinha e fedia, como fedia. Daí na rodoviária, enquanto esperávamos nossa guia da Paraíba (?) fomos tomar café da manhã na mesma rede onde comemos antes de sair de Campinas. Lá é mais caro, acho que bem mais caro, aliás. Nossa guia chega, minha melhor amiga, que reconhece primeiro meu namorado, do que a mim. O detalhe é que ela só tinha o visto uma vez na vida. Foi aí que eu comecei a me preocupar. Tá, brincadeira, ela também gosta de nerds, mas eu prefiro os que tem protuberância abdominal, ela, os magrelos.

Pegamos ônibus, o cobrador chama ‘trocador’, a catraca fica do lado contrário (aqui em SP, nas cidades por onde eu já andei de ônibus, a catraca fica do lado esquerdo e lá, no lado direito), mas se dá sinal da mesma forma e se entra pela porta da frente e desce na de trás, como aqui.

No caminho para a casa de quem ia nos hospedar, passei no banco, porque o dinheiro que ia pagar a minha viagem ainda não tinha caído. Xinguei a máquina e contei o que tinha acontecido para namorado e amiga paraibana. O namorado entendeu, a amiga paraibana não entendeu o ‘caído’ e disse que para ela era ‘entrado’. Depois o pai da carioca, outro carioca, disse que meu dinheiro ainda não tinha batido na minha conta.

O calor era infernal e eu sou caipira, do mato, era o único dia que a previsão garantia sol: praia.

A areia da praia é tão fofa, mas tão fofa que só da graça caminhar nela nos primeiros 5 minutos, cansa muito, depois disso tem que pular pro calçadão, o que me faz entender porque esse bendito é tão famoso! E a água do mar? Ah, a água do mar… Eu particularmente achei mais salgada, juro. E é azul de verdade, perdeu até a graça ir para o litoral de São Paulo que a cor da água beira entre cinza e marron. Também é mais fria, o dia todo. Esquenta nem com reza brava. Uma coisa que eu não vi, foi farofa. Sabe a nossa mania paulista de levar caixa de isopor com cerveja, lanche e todo o resto? Pois então, vi não. Os vendedores tem de monte. Mas vai destaque para biscoito de polvilho e mate gelado, saindo de caixas térmicas com torneirinha. Falando em ambulantes, meu Deus, como enchem o saco! E tem de tudo. Tinha quem vendia cangas, camisetas, bonés, copos, comida (claro), os que chegavam com um grupinho de pagode, tocavam um pouquinho depois viravam o pandeiro para pegar o dinheiro. Da próxima vez eu vou com a camiseta do corinthians, para perceberem que eu sou paulista e pobre.

Mas o melhor ocorreu sábado a noite. Mesmo com preguiça, fomos ver como era a ‘night’ carioca (lá não se fala balada, em hipótese nenhuma). Uma e meia da manhã em um ponto de ônibus, mas mesmo assim, a rua não fica deserta e até que tem um movimento bem considerável, 90% eram táxis, aliás, quanto táxi, aqueles amarelinhos com uma faixa azul! O trânsito do Rio é caótico durante todo o dia, e depois de esperar por meia hora, achei que ia ser sossegado para chegar até a Lapa de ônibus, já que àquela hora o movimento era menor. Ledo engano. De fato, o trânsito era inexistente, mas o motorista era insano. Eu não sabia que os R$ 2,10 da passagem incluia o pacote com emoção. Mas eles estão acostumados com isso.

Dai, na Lapa:

Um dia, dois amigos disseram, que uma terceira amiga tinha cara de ‘menina da Lapa’, pelo seu estilo. TODO MUNDO tem estilo Lapa. Vai desde neguinho de cabelo loiro, sem camisa e havaiana arrebentada à playboy com cara de limpinho e futuro ator de malhação; de putas à menininhas bonitinhas, que provavelmente são amigas dos futuros atores de malhação. O lugar era o que se chama de eclético, tinha funk, samba, música eletrônica, pop. Claro que cada ritmo em uma casa diferente.

Indo embora paramos para comer um cachorro quente e começamos a comentar o que tinha no cachorro quente de lá e no de cá. Bom, eu tô acostumada a: pão; salsicha; purê de batatas; maionese; katchup, mostarda, vinagrete, milho, ervilha e batata palha. Esse é o meu completo, simples. Dai no do Rio tem: pão; salsicha; maionese; bata palha; ovo de codorna. OVO DE CODORNA. Pronto, foi debate até chegar em casa.

Tudo lá é prédio. Eu não vi casa não. A carioca disse que em outros bairros até tem. Da até vontade de bater no Manoel Carlos. Fiquei em Copacabana, passei por Ipanema, fui no Cristo, o mal tempo e os 44 reais cobrados me desanimaram de subir no Pão de Açúcar. O medo de ser roubada também me impediu de tirar muitas fotos. Não vi assalto, mas sabe como é a mania de acreditar na televisão. Ouvi muito idioma estrangeiro e percebi que o Rio de Janeiro realmente não é feito pra brasileiro. Pelo menos não os pontos turísticos: numa sorveteriaZINHA que fica onde se pega o bondinho para subir no Pão de Açúcar a bola do sorvete custava 3,60, reais, pelo menos. Tirei foto com o Carlos Drummond sentado num banquinho. Encontrei ator globar brincando com a filhinha na praia (acho que o nome dele é Otávio Müller. Sabe aquele que tem um quadro no fantástico com a Heloísa Perissê? Então, ele). Mas ainda assim, o Rio de Janeiro continua lindo, e o propósito inicial, que era reencontrar as amigas brasileiras conhecidas na Alemanha, foi alcançado, pelo menos duas delas.

O sotaque é um comentário denecessário. Todo ‘s’ tem som de ‘x’ e todo ‘r’ tem som ‘rr’. Dai a gente sai do interior de São Paulo falando poRta para um lugar que se fala paulixtax. Pelo menos, eu deixei a carioca falando colheR, mas sai falando saudadex.

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