A primeira vez a gente nunca esquece.

Na primeira temporada do meu namoro eu era uma chata insuportável quando o assunto era futebol e meu namorado, um corinthiano, maloqueiro, sofredor. Quando chegou a terceira temporada, meu namorado continuava o mesmo, como eu sabia que se um dos dois não mudasses a briga ia continuar, mudei eu. Assisti à TODOS os jogos do corinthians quando estava com ele e em 99,9% deles, sem reclamar. As brigas acabaram, minha paciência aumentou, eu não passei a gostar de futebol, mas comecei a matar o tempo, por exemplo achando semelhança entre Mano Menezes e Bruce Wills.

Ele é tão chato corinthiano, que quando o time perdeu a Copa do Brasil, eu tentei ligar pra ele, pra consolar e ele não quis falar comigo.

Assim foi durante o ano todo, televisão sagrada de sábado a tarde. Até que ele sugere nossa ida ao Pacaembú, Curintiá x Não sei quem. Vâmo.

Olhei a previsão do tempo antes e a chance de chuva para o dia do jogo era de 92%, Saímos de casa, o tempo fechado, um ar gelado, nem óculos de sol eu levei. Chegando lá, um calor, um sol, aquela coisa mesmo de urubu com azar.

Nosso lado na arquibancada era justo aquele que se o sol não estava em cima, estava na frente. Dois reais cada copo de 300 mls de água. Sem protetor solar. Vai timão.

Daí eu inventei de tomar um sorvete de coco, que os vendedores traziam em caixa de izopor com gelo seco dentro. Me preparei para a primeira mordida, que não chegou a acontecer. Meus lábios ficaram grudados no sorvete, tipo Débi e Lóid, na cena em que um deles, lambe o cano do teleférico. Na hora de tirar, saiu a pele junto e ficaram 4 pontinhos de sangue no sorvete. Eu só fui tomar sorvete de palito, um mês depois.

E assim foi… das 14:30, a hora que sentamos, até às 18:15, a hora que levantamos. Passei uma semana com vergonha de me olhar no espelho. Eu sou branca, passo protetor solar pra ir trabalhar e peguei uma cor de camarão no estádio. Acredite, passou longe de ficar bonito.

O Curintia ganhou, o namorado saiu feliz da vida, ganhei o prêmio namorada de ouro, mas estou dando graças a Deus que o Brasileirão série B já acabou. Agora só ano que vem, na série A.

É por causa dele que eu assisto, mas eu também torço. É aquela velha história: O que você não pede chorando sorrindo, que eu não faço sorrindo chorando?

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