Garçon, cicuta por favor?!

Ok. Estou exagerando, mas me deem um desconto.
Fui au pair na Alemanha por um ano, e para quem não sabe (e eu bem duvido que as 3 pessoas que devem ler meu blog não saibam o que é au pair), em bom português, eu fui BABÁ na Alemanha, por um ano da minha vida. Não vou entrar nas questões nacionalistas idiotas de que brasileiro se sujeita a fazer trabalho que europeu não faz. Vou tomar minha licença poética e reclamar, lamentar, choramingar, ar, ar, ar.
Morava numa família de comercial de margarina. E margarina Becel. O pai e a mãe nos seus 34 anos e duas crianças: uma menina liiiiiiiiiinda, que quando eu cheguei lá tinha dois anos e meio, e um menino, na melhor ilustração possível de teddy bear, que na minha chegada, havia completado um ano.
No começo foi difícil. A menina não queria ficar comigo de jeito nenhum, e a mãe que nunca havia deixado os filhos sozinhos, ainda mais com uma garota latino americana, com sonho de sangue e América do Sul, desconhecida recém-chegada, que trocara o conforto (?) da sua vida no Brasil, por míseros 260 euros/mês, mais moradia e alimentação. Claro, e a vivência da cultura alemã, intervinha no primeiro suspiro de buá que era feito. Passado isso, tínhamos crises à cada três meses, o que também resultava em uma discussão de relação. As crianças se tornaram uma paixão. Não fui a au pair perfeita, dava meu horário de trabalho, eu corria pra internet e conversava horas com o ex, que agora é atual namorado. Isso irritava muito a família. Eles também estavam longe de serem a melhor família: eu acordava as 5:40 pra poder tomar banho e café (além de preparar o café de todos), para que eles pudessem dormir um pouco mais e não precisassem interromper o banho quando o menino resolvia berrar pra sair do banho.
A questão é, que tirando os amigos brasileiros e o árabe-israelense que eu fiz, eles eram a referência de Alemanha que eu tinha.
Voltei quando meu visto venceu. Voltei porque eu estava cansada de viver a família dos outros sem poder mandar a merda de vez em quando. Voltei porque eu não achei família na Áustria. Não queria ter voltado, ponto.
Tentei manter contato com a família, mas com o passar do tempo, nossos emails se tornaram mais escassos. Até que um dia, só eu mandava email. Até o dia que eu desisti. As fotos que eu pedia das crianças, nunca chegaram.
Eis que surge o facebook. Na verdade já existia há muito tempo pra mim, eis que surge na vida dos ‘pais’ alemães. Mando um recado, arriscando um ‘oi, tudo bem?’, e também, sem resposta.
Acho até as au pairs que vieram depois de mim. Uma também reclamava da ausência de respostas da família, a outra, é a atual, e o contato está começando.
Hoje é aniversário daquela au pair que também reclamava da falta de notícias. A mãe deixou recado, conversou no chat do facebook e ainda prometeu email.
Descobri que eu sou especial, às avessas.
Eu sei que eu fiquei triste, mais tão triste. Daquelas fossas homéricas que só pé na bunda é capaz de deixar. E de um jeito ou de outro, foi.

T

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6 comentários

  1. mas é assim mesmo… e nem é só a distância q separa as coisas, mas a vida mesmo. tb já n tenho mais contato com a família em köln. com a família de wien só o farmville nos une (ou unia, já q eu nem jogo mais)…
    é deixar passar.

  2. Há, fucei seu orkut e encontrei teu blog.
    Adicionarei 🙂
    Já fui aupair na Irlanda e foi similar. Principalmente o desaparecimento da família pós-aupair. Mandava e-mails gigantescos a cada 2 meses, e nada de resposta. Que saco.

    Agora são 4 pessoas lendo seu blog, viu que chique?

    By
    Bruna (Gina)

  3. Olha, eu tive muita sorte com as duas familias. com a da alemanha mantemos contato até hoje. ela memanda fotos, e postais da onde ela vai talz. A da áustria ja é um pouco mais distante, mas só a gastmutter, pq o vater e gente boa pra caramba e sempre nos trombamos no fb e no farmville. detalhe, quem és tu?

  4. Mais uma pra ler o blog. E mais uma que sabe o que é au pair, ô se sabe…
    Achei engraçado que eu também passava o tempo livre a conversar com o ex, e o ex também virou atual :O hahaha

    Essa semana mesmo mandei email pra minha Gastfamilie, sempre mando inúmeras fotos e eles respondem o email mandando UMA foto. Afff, miserê.
    Mas gosto um bocado deles, e se voltar pra DE como estudante (sonhar é de graça), vou pra Köln, mas vou viver em Frankfurt visitando-os, hehe. Problema deles se acharem ruim. Capaz até de me alugarem um tantinho pra babysittar…

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