Direito do consumidor, pesadelo do fabricante.

Preparem as pedras, porque apesar de não merecê-las, sei que vou ter que enfrentá-las.

Dizem por aí que o PROCON veio pra facilitar a vida do consumidor e eu concordo. O que eu não concordo é com a coerência que esse órgão trabalha.

Bem se sabe que antes, o consumidor era um ser indefeso diante das garras das malvadas empresas, por isso, foi criado o PROCON, uma forma de auxiliar os consumidores a terem seus direitos. Até aí, lindo. O problema é que aquela história de que o cliente tem sempre razão, mesmo quando ele não tem razão NENHUMA.

Por sorte, ou azar, do destino, no meu estágio comecei a trabalhar diretamente com isso, tentando resolver o lado do malvado, a empresa.

Vamos a uns exemplos práticos, mascarando os produtos, pra que não sobre problema nenhum pra mim. hoho.

O cara vai e compra uma faca. O manual de instruções diz que essa faca só corta pães, legumes e frutas e não deve ser usada para cortar carnes ou gelo. Daí o cara, usa a faca no açougue dele. A faca quebra. Ele vai até a assistência técnica autorizada, diz que usava a faca-pão para cortar carne, a AT recusa a garantia, por motivos óbvios dai, o cidadão, entra no PROCON, afinal, o produto dele ainda estava na garantia. O PROCON envia uma carta de notificação, dizendo que a faca era usada indevidamente, com o laudo técnico que a assistência forneceu, indicando mau uso, intermediando o conserto para o cliente ou a devolução do dinheiro. PROCON, seu lindo, me ixprica isso: o cara sabe que estava errado, tem um laudo dizendo que ele estava errado, o manual de instruções diz que cortar carne é errado e o que eu posso fazer por esse fulano além de amaldiçoar até a 5ª geração dele? Ele está errado, ele sabe disso. Se fosse outro caso, até proporíamos o conserto em cortesia, mas ele sabia muito bem que estava errado. Comprou a faca de pão porque era mais barata que a faca de carne. As chances desse malandro ganhar a causa? Todas. O PROCON vai alegar que já se passaram 30 dias que a máquina foi deixada na AT, por isso, o cliente tem direito a uma faca nova ou o dinheiro de volta (fica a dica).

Outro caso mais bizarro ainda.

Dessa vez, a cliente foi comprar uma faca elétrica, e comprou uma com voltagem 110. Porém, ela não prestou atenção quando comprou, e usou no 220, queimou. Levou na AT que recusou a garantia por mau uso. A cliente entrou no PROCON. Consertamos a máquina dela em cortesia. Ela não foi retirar e entrou no PROCON de novo. Dai eu entrei em contato com essa cliente, ela disse que sim, tinha sido avisada que a máquina estava pronta, porém, não queria mais sua máquina 110, mas, sim uma nova, 220. Dai eu perguntei se na nota fiscal constava a voltagem correta do aparelho, ela disse que sim. Mas que a moça da loja não tinha avisado que era 110. No PROCON, não fechamos acordo, então, o próprio funcionário da instituição, a instruiu a levar a causa para o JEC (juizado especial cível), e não pedir a troca da máquina por uma 220, porque se trocássemos, trocaríamos por uma igual, mas sim, a devolução do dinheiro. Oi?

A sorte é que nesse caso, a consumidora aceitou a máquina consertada, porque foi apresentado para o juíz um laudo com fotos comprovando o mau uso, e ela mesma solicitou a retirada da faca elétrica consertada. Foi sorte mesmo, porque eu já vi casos do cliente estar errado e o juíz dizer: ah… mas ele é pobre, da uma televisão, celular, faca-elétrica nova pra ele. O que isso custa pra empresa?
Custa pelo menos a minha paciência, que olha, anda pouca!

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