GUILTY FEET HAVE GOT NO RHYTHM (ou, perdendo o rebolado).

Minha mãe sempre falou por ai toda orgulhosa que eu era uma criança que não mentia.
Se eu quebrava um vaso, ou queimava o sofá com o ferro de passar roupa (sério, eu já fiz isso), eu sempre me apontava como culpada.
Quando eu jogava futebol na escola, o time adversário sempre vinha me perguntar se tinha sido falta ou não, se tinha sido mão na bola ou não, porque eu não conseguia mentir. Minha carreira nesse esporte foi curta. Assim como seria na política. E as poucas vezes que eu menti, ou tentei, me pegaram de maneira linda, histórica e ridícula. Murphy sempre foi um lindo.

Tipo a primeira vez que eu matei aula.  Eu cheguei em casa e minha mãe tava me esperando do lado de fora:

– CÁSSIA (daquele jeito especial que só ela sabe falar e que me faz me mijar inteira), VOCÊ TEM ALGUMA COISA PARA ME CONTAR?
– Desculpa mãe, eu matei aula, eu nunca mais mato….
-AHHHH, SUA FILHA DA PUTA (ah, esse auto xingamento materno), MATOU AULA????
– Ué, não era disso que você tava falando?
– NÃO, ERA SOBRE (insira alguma molecagem pré adolescente).

Dessa forma, eu nunca trai, nunca peguei bala dos ambulantes sem pagar, nunca peguei dinheiro da bolsa da minha mãe, nunca falei pra namorado que eu ia ficar em casa para sair com as amigas. Não que eu nunca tenha sentido vontade de todas essas coisas, pelo contrário, mas eu sofria tanto com a possibilidade de ser pega na mentira, que eu desistia.

Pois bem. Lesson learned. Só que não.

Fui chamada para uma entrevista em outra empresa. Meu chefe disse uma vez que ouviu no Max Gehringer que se o funcionário tivesse uma entrevista, não devia contar para o chefe atual, por melhor que fosse a relação entre eles. Guardei isso pra vida e falei que ia fazer um exame.

No dia seguinte, quando eu chego no trabalho, ta meu chefe com o maior sorriso do mundo.

– Cássia, sabe quem me ligou ontem?
– Não (cu que não passava nem agulha).
– O Fulano de Tal, para me pedir indicações de uma funcionária.

Fulano de Tal é um cara que trabalhou onde eu trabalho e hoje está na empresa que eu recebi o convite para fazer a entrevista. Eu sabia disso. Só que ele trabalha na planta da cidade A, e eu fui fazer a entrevista na cidade B, a 300km de distância, para uma área diferente.
Ele é amigo pessoal do meu chefe.

Lembra? Murphy é um lindo.

Meu chefe disse que eu quebrei seu coração com a mentira e isso quebrou minhas pernas. Depois de uma semana encarando o coração gelado, eu não sabia mais o que fazer para me redimir. Chamei minha amiga (e cúmplice) e cantamos para ele Careless Whisper. Com direito a imitar o sax.
Ele pode não ter me perdoado ainda, mas viu que eu não tenho limites para o ridículo.

A lição de hoje, amiguinhos, é que se você não sabe mentir como o Davi, seja honesto.

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