Amor nos tempos do cólera (ou, A desempregada em tempos de crise).

Faz quatro meses que eu sai do meu último emprego e vim contar como tem sido, afinal, se tem uma coisa que eu tenho nessa vida, é tempo!

Sai do trabalho com a certeza de que tudo ia dar certo. Que eu estava sendo sincera comigo e era isso que importava. Se faltasse dinheiro: foda-se, vou vender lanche natural. Vou estudar para passar em um mestrado. Vou ler todos os livros que eu quero. Vou ficar gostosa, vou fazer dieta e ir pra academia todos os dias. Vou passear mais com a minha cachorra.

O primeiro mês eu ia descansar… tipo férias. Ainda almocei com as antigas amigas do trabalho, ia para cafeterias ler bons livros, mantive a dieta, continuei indo para a academia, passeava todos os dias com a Lola, deu para contar nos dedos as vezes que dormi até mais tarde ou dormi a tarde.

Na última semana do final do primeiro mês eu já estava meio entediada. Terminei todas as temporadas de The good wife, comecei a assistir do zero How I met your mother, que eu já tinha assistido, continuei na academia e fui almoçar na minha mãe para não ficar muito sozinha. Menu do dia: bisteca e torresmo.

Meio do segundo mês: enviando currículos desesperadamente, inclusive para vagas que eu acho que nem gostaria tanto assim; procrastinando nível hard nos estudos para o mestrado; falando com a cachorra; comendo de hora em hora para satisfazer a ansiedade, mas pelo menos, mantendo a academia.

No terceiro mês eu fiz três entrevistas em uma mesma semana. Uma das empresas eu descartei na hora. Outras duas eu fui avançando nos processos seletivos.

Em uma, eu adorei a primeira entrevista e detestei a segunda. Tinha tanta certeza que não tinha passado nessa etapa que quando a moça da empresa de RH me ligou para saber o que eu tinha achado da entrevista, eu falei o que eu realmente tinha achado da entrevista: achei estranho, eles não me perguntaram nada, só falaram mal da vaga e quando eu tentava falar alguma coisa, tinha a impressão de que estava atrapalhando e os entrevistadores (gestores da área) logo me cortavam. Eis que ela respondeu: então, você passou para a próxima etapa, você quer continuar? Eu disse que sim, porque a primeira entrevista tinha mesmo sido sensacional. No fim das contas, ela ficou um mês e meio sem dar notícias. Mandei e-mail e ela não respondeu, liguei e ela disse que retornaria e não retornou. Ontem recebi um e-mail do mesmo RH dizendo que a empresa tinha preferido dar continuidade com outro candidato. Lição do dia amiguinhos: controle a sinceridade.

Eu polianei e pensei que foi melhor, afinal, eu tinha detestado tanto a segunda entrevista, que provavelmente não ia gostar de trabalhar lá. Mas, a sensação de fracasso foi inevitável e ontem eu passei o dia me sentindo o micróbio da bactéria da mosca do cocô do cavalo do bandido.

A outra empresa em que estou participando de processo seletivo, as pessoas responsáveis estão de férias/fora do país e eu devo ter notícias em breve. Por enquanto, o feeling é positivo!

Status e expectativas desse quarto mês: Voltei pra dieta (continuo almoçando na minha mãe e até ela ta se controlando), mantenho a academia e decidi voltar a correr. Lendo mais para o mestrado e sem muitos desesperos se ele não acontecer esse ano, vou continuar me preparando. Desliguei a TV. A Lola é uma companheira incrível. Me aplico para vagas que eu realmente acho interessante. Tentando sair da procrastinação. Continuo acreditando que tudo vai dar certo. O dinheiro tá faltando muito, alguém quer lanche natural?

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