Na rua, na chuva, na fazenda, com uma sacolinha na cabeça.

Uma das minhas primeiras viagens com o Gian foi em um pós carnaval pra Cananéia. Eu já tinha ido pra lá na minha adolescência com as melhores amigas e foi tão ridiculamente perfeito que eu era louca pra voltar. Voltei milênios depois com ele.

Chegamos na terça-feira de carnaval e fomos e voltamos de ônibus, tipo umas 7 horas de viagem. Carro nem fazia parte dos nossos planos nessa época. Ficamos hospedados em um hostel bem simplesinho, em que tudo era hilário. Tinha descrição de sauna, piscina aquecida coberta e ofurô. O ofurô era uma caixa d’água e a água quente vinha da sauna (que eu não arrisquei na época), já o aquecimento da piscina vinha da água que vazava do ofurô. A cobertura era aquela telinha pega mosquito, que já estava rebaixada de tanta folha de árvore presa. Mas esse lugar tinha os donos mais fofos e solícitos e o melhor doce de banana da vida.

De quando chegamos até dois dias depois, só fazia chover. A cidade não tinha nenhum bar ou lanchonete abertos antes do final de semana e no hostel tinha uma cozinha compartilhada, só não tínhamos comida. O dono nos emprestou duas bicicletas e fomos até o centro, até um mercado, comprar suprimentos. E chovia, tipo muito.

Quando chegamos no mercado ensopados, uma tiazinha da limpeza ficava andando atrás da gente com um pano e um rodo, secando os corredores. Na hora de ir embora, eu peguei uma sacolinha e amarrei na cabeça, porque estava com dor de ouvido. Fomos embora, cheios de sacola de compras, pedalando e eu com uma sacola na cabeça. Notamos que as pessoas olhavam, mas cagamos três quilos e tínhamos cerveja, amendoim e miojo até o sol voltar a brilhar. O que graças a Deus, não demorou.

Sempre que penso em uma história de parceria, essa é a primeira que vem a minha cabeça. Parece até metáfora clichê, mas mesmo debaixo de chuva (e com sacolinha na cabeça), você estava comigo. E continuou.

Como não é novidade por aqui, eu continuo desempregada (embora teremos coisas boas em breve, o dinheiro vai demorar um pouquinho mais) e esse é o primeiro ano que você fica sem presente no seu aniversário, da minha parte. Até pensei em pegar o seu cartão e te comprar uma bermuda, ou uma calça, ou uma camisa (porque vamos combinar, eu te amo, mas você se veste mal!), mas não ia ser um presente de verdade. E tudo isso porque eu tou com a “sacolinha na cabeça” de novo  e você está me apoiando, só que dessa vez a “chuva” tá bem mais forte.

Antes de te desejar tudo o que você merece, eu preciso te agradecer. Por me apoiar, claro. Em tudo. Toda modalidade nova de esporte que eu quero tentar. Toda comida fit que eu quero fazer. Toda merda que eu faço, tipo, sair do emprego. E nessas, não desistir nem de mim, nem da gente. Obrigada por se empolgar com qualquer besteira que eu falo. Por me escutar falando de política, de cursos, de sonhos, de café… eu consigo ver o brilho dos meus olhos refletidos nos seus (gente-do-céu, to impossível nos clichês hoje).

E por fim, parabéns. Muito bolo e guaraná, muito doce pra você! Que você continue tendo o sucesso pelo qual você está batalhando muito; que o amor continue nos acompanhando; que o dinheiro volte para fazermos outra viagem, mesmo que para Cananéia. De ônibus. Pra ficar no hostel do ofurô de caixa d’água. E que os clichês continuem fazendo parte da nossa vida, tipo aquele: depois da tempestade, vem a bonança.

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2 comentários

  1. Não te conheço, acabei de achar seu blog nem sei como. Mas achei esse post de uma lindeza tão grande, que precisei escrever que já gostei de você. E a próxima vez que quiser ir pra Cananéia, me peça uma carona. Meus pais moram em Pariquera, ali do lado. De carro vai mais rápido 🙂

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