Lições de família.

Eu tive a sorte de morar com a minha avó materna por muitos anos [insira a sua piada de criada com a vó aqui _____________]. Ela era inspiradora. Muito mais teimosa que eu, mas inspiradora.

Ela foi a primeira mulher da minha família a entrar na faculdade, mas não se formou. Eu fui a primeira a me formar. Era a única mulher da minha família que tinha carta. Hoje só eu tenho. Ela era independente e auto realizada, e é exatamente isso que eu quero pra mim.

Ela também sempre teve uma opinião muito peculiar sobre relacionamentos, era durona. E por mais que eu quisesse ser como ela, vivia chorando pelos cantos.

Pois bem. O meu primeiro namoro “sério”, desses que duram anos, foi com um bosta e só era sério para mim. Da última vez que ele terminou comigo, eu desci tomar meu café da manhã cabisbaixa. Tava la, remexendo a comida quando minha vó colocou uma música e começou a cantar. Era um sertanejo pra baixo, de corno… e quanto mais fora o cara da música levava, mais eu xingava minha vó:

Ela sempre vai e volta
Abusa do meu coração
Mas eu já estou cansado
De ser brinquedo em suas mãos
Outra vez ela se foi
Sem motivo, sem razão
Mas eu não estou a fim
De encarar a solidão

Até que o ritmo da música muda, ela sai da pia, vem dançando na minha direção, senta na minha frente e continua a cantar:

E se ela não voltar eu não tô nem aí,
Eu vô pro bailão, vô me divertir,
Vou beber cerveja e arrumar outra paixão,
Vou ficar doidão, vou ficar doidão.

Obrigada, vó.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s