Para eu dar o nome

E no meio de tanta música de fossa que vai de Chico Buarque (Eu te amo) a Los Hermanos (Sentimental), passando por Adriana Calcanhoto (Depois de ter você), tenho passado meus dias em um poço de hormônios adolescentes. E assim como na adolescência, já até esqueci de comer. Por isso, peço de antemão: me desculpem pelo o que eu disse quando estava com fome.

Daí, eu que dava conselhos prazamiga, me peguei assim, desaconselhável. Eu, que não falava de sentimentos, muito menos de relacionamentos, criei um jornal, quase um classificado, para ver se alguém me dava um tapa na cara pra voltar a realidade. Não levei.

Eu, que falo enquanto escrevo, me peguei numa diarreia verbal e tive um texto para tudo, menos para o que eu queria. Tentei papel e caneta, tentei word, tentei blog. Eu, que dificilmente tenho problemas para falar o que penso, sufoquei com as palavras engasgadas.

Que sempre detestei a ideia de dar tempo ao tempo, resolvi experimentar. E mesmo tendo a certeza de que nem tudo está sob controle, deixar assim ser controlada não foi do meu feitio.

Me peguei querendo (re)conquistar alguém e percebi que nem eu gostaria de mim. Eu que sabia tão bem quem eu era, não me reconheci. Ou me conheci sendo quem eu não queria. A auto confiança virou insegurança e de repente eu não sabia se queria quem eu tinha. Ou não merecia?

No meio, eu só queria ficar sozinha. Como não consegui fugir de mim e, por ser minha pior companhia, me atirei nos meus amigos-boia-salva-vidas e os afoguei com conversas, choros e risadas.

Sempre enchi a boca pra falar que eu não sou do tipo de pessoa que manda indiretas, que não sabe paquerar porque ao menor indício de paixonite já deixa o destinatário ciente. Só que cada um dos últimos textos eram para alguém, embora o motivo de piada ainda fosse eu.

Pela primeira vez um texto foi pensado minuciosamente antes de ser publicado (e pela primeira vez eu usei a palavra minuciosamente). No começo, ele até dizia mais sobre outros do que sobre mim e quando percebi, voltei e refiz. Esse é por mim, para mim, para eu dar o nome. Depois de quase um mês da primeira palavra digitada, estava esperando morrer de amargura para poder conclui-lo, o que não aconteceu. Então acaba assim, sem fim. 

 

 

 

 

 

 

 

 

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2 comentários

  1. Cássia primeiro quero dizer que AMO seus textos, se um dia vai ganhar dinheiro com isso não sei mas que você é uma ótima cronista isso é!
    Agora sobre o texto parabéns por ter colocado para fora sentimentos que pareciam guardados a tempos não é para qualquer um essa coragem, me parece que esses 30 tem algo de estranho e especial e que sentimentos que foram soterrados por uma vida estão vindo à tona e sinceramente acho que é o melhor que poderia nos acontecer.
    Te citando “Eu que sabia tão bem quem eu era, não me reconheci. Ou me conheci sendo quem eu não queria” Talvez esse alguém que vc viu e não queria é simplesmente alguém machucado que precisa de carinho e respeito tenho certeza que esse alguém é cheio de particularidades lindas que não são as que sonhamos para nós mas estão lá e se as aceitarmos a vida vai melhor, geralmente quem queremos ser acaba fudendo com quem realmente somos e nessas de buscar ser esse alguém nos desrespeitamos e nos machucamos a troco de nada, na verdade em troca de uma aceitação que na real nunca virá( não como gostaríamos pelo menos).
    Estou escrevendo por que me identifiquei muito com o texto e toda essa confusão de sentimentos, enfim quero dizer pra vc respeitar seus sentimentos e seguir com eles se alguém achar que você não é mais tão legal dane-se você estará sendo mais legal pra quem realmente importa na sua vida VOCÊ.
    Mals pelo textão rs, estou longe na vida mas aqui torcendo por você, nos empoderando, percebendo nosso valor e nos amando seguimos mais confiantes. Muita Girl Power pra nóis, tamos junto! hehe =)

    Bjs!!

    1. Em primeiro lugar eu chorei lendo seu comentário. Muito obrigada.
      Quando eu decidi publicar esse texto eu pensei em algumas pessoas e você foi uma delas. Porque lê sempre meu blog 🙂

      Agora os 30 são empoderadores! Tamo junto. Menos perto do que antes, mas com carinho sempre!
      Beijo

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