Lições de família.

Eu tive a sorte de morar com a minha avó materna por muitos anos [insira a sua piada de criada com a vó aqui _____________]. Ela era inspiradora. Muito mais teimosa que eu, mas inspiradora.

Ela foi a primeira mulher da minha família a entrar na faculdade, mas não se formou. Eu fui a primeira a me formar. Era a única mulher da minha família que tinha carta. Hoje só eu tenho. Ela era independente e auto realizada, e é exatamente isso que eu quero pra mim.

Ela também sempre teve uma opinião muito peculiar sobre relacionamentos, era durona. E por mais que eu quisesse ser como ela, vivia chorando pelos cantos.

Pois bem. O meu primeiro namoro “sério”, desses que duram anos, foi com um bosta e só era sério para mim. Da última vez que ele terminou comigo, eu desci tomar meu café da manhã cabisbaixa. Tava la, remexendo a comida quando minha vó colocou uma música e começou a cantar. Era um sertanejo pra baixo, de corno… e quanto mais fora o cara da música levava, mais eu xingava minha vó:

Ela sempre vai e volta
Abusa do meu coração
Mas eu já estou cansado
De ser brinquedo em suas mãos
Outra vez ela se foi
Sem motivo, sem razão
Mas eu não estou a fim
De encarar a solidão

Até que o ritmo da música muda, ela sai da pia, vem dançando na minha direção, senta na minha frente e continua a cantar:

E se ela não voltar eu não tô nem aí,
Eu vô pro bailão, vô me divertir,
Vou beber cerveja e arrumar outra paixão,
Vou ficar doidão, vou ficar doidão.

Obrigada, vó.

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[guest post] Quando a alma chora

08/03/2016 – Um dia para ser esquecido

O huddle acontece, o QB pré determina a jogada, a formação na linha de scrimmage é executada. Bola na mão do Center, sai o Snap, bola na mão do QB, o mundo para. Estamos agora dentro da mente do QB, as sinapses acontecem, ele pensa: onde estaria o número 22 realizando sua rota slant? Ele não está mais lá. O mundo desaba. Com a tristeza consumindo seu coração, ele melancolicamente aceita o sack do adversário. Não se vê nada além de ruinas.

Mas já foi diferente. Existia um cara com a camisa 22, com as iniciais OZ acima deste número. Como um vento que corta um dia frio e chuvoso, o tal número 22 passava driblando seus marcadores. Muito além da bola que carregava em uma das suas mãos, o menino levava a esperança de dias melhores. Levava a esperança de toda uma comunidade. Run Égritti, run. O mundo é todo seu! Era o que todos gritavam maravilhados com o que estavam vendo.

Saiba que perdemos muito mais do que um amigo de time, perdemos um irmão, perdemos um guerreiro, perdemos um Maverick! Obrigado por tudo!

#RIPOZ

Danilo Antonini

Prazer, Cassia

Eu faço piada sobre tudo, sem qualquer distinção de raça, credo, gênero, idade, nível hierárquico ou preferência política. Eu sou objetiva, mas juro que sem a intenção de ser grossa, é que às vezes escapa. Minha voz é firme, o que deixa minha objetividade mais grosseira ainda. Eu também costumo falar o que penso. O que deixa a objetividade da minha voz firme mais grosseira ainda. Já ouvi de algumas pessoas “que eu sempre tenho uma resposta pra tudo”, sem saber direito o que isso quer dizer.

Depois de morar fora, eu comecei a dar valor aos palavrões. Embora minha mãe tenha se esforçado para o contrário, na Alemanha eu aprendi que você até pode aprender a falar outro idioma, mas mandar “tomar no meio do olho do cu” na sua língua materna é extremamente satisfatório. Com isso, expressões como “foda-se”, “caralho” e “porra” são utilizadas como vírgula. Se a gente mal se conhece e eu disse qualquer uma delas pra você, é porque eu já te considero pacas.

Eu não tenho muita noção de ridículo, nem muito problema em passar vergonha. Na verdade, sofro mais de vergonha alheia do que auto-vergonha. Por isso eu tenho por aí fotos me esfregando em paredes, em mesas, sentada em estátuas, fazendo careta, etc. Vídeos sambando descontroladamente. Aliás, dançar para mim é uma arte. Um dos sonhos da minha vida era ser dançarina da Beyoncé. Não rolou, então to aí, mostrando toda minha malemolência em festas de ano novo!

Eu escrevo melhor do que falo. Poderia ter qualquer DR por whatsapp muito melhor do que pessoalmente. Lamento que os emails estejam fora de moda, porque ainda é minha comunicação preferida. Falando geralmente eu me sinto um saco de pipocas.

E essa falta de habilidade em conversas me fez despertar o incrível talento de mudar de assunto sem que eles façam sentido, ou falar de coisas mais polêmicas que mamilos, como se fossem conversas na fila do pão. Eu passo vergonha, mas não costumo passar vontade.

Eu sou teimosa que nem uma porta. Só acredito vendo. Mas não tenho muitos problemas em pedir desculpas.

E estava assim, tudo muito bem definido até que uma das minhas melhores amigas me chamou depois de ler um dos meus posts para dizer que pela primeira vez ela não tinha rido. Não que não estivesse engraçado, mas como ela sabia o que estava acontecendo comigo, ela sabia o quanto era dolorido fazer piada daquilo.

Eu não tinha percebido, mas ela estava certa. Daí é só a gente voltar pra primeira frase desse texto: Eu faço piada sobre tudo, sem qualquer distinção. E eu, geralmente sou o meu assunto preferido.

 

Punheta mental

Eu e uma amiga criamos a teoria de que comédias românticas significam para mulheres o que filmes porno significam para os homens: são coisas que, no mundo real, pouquíssimas pessoas têm. Temos consciência disso, mas às vezes, principalmente quando a vida tá uma merda, assistimos coisa do gênero.

Muito bem. Esses dias minha vida tava a tal merda e eu pensei: oh, vou bater uma punheta mental! Vou assistir uma comédia romântica pra me afundar ainda mais na insignificância do meu ser (tá, dramático de mais, eu sei, #mimjulgue). Escolhi um que, mesmo se fosse uma porcaria, tinha o Chris Evans (leitores do gênero masculino: é o cara que faz o Capitão América) então, pelo menos a vista valia à pena.

O filme chama Deixa Rolar (Playing it cool) e esse texto, contém spoilers.

Chris Evans é um pica das galáxias que não acredita no amor, até que conhece a garota ideal (clichê), só que ela namora (clichê). Eles decidem ser amigos, mas Chris Evans não aceita o fato e em um momento oportuno tasca um beijo fofo nela. Ela fica confusa, afinal namora o Sr. Perfeito, mas foi beijada pelo Capitão América! Fica sem dormir, sem comer direito e tiram a prova dos nove fazendo amor. Uma vez que casais de comédia romântica não transam, eles fazem um amor bem gostoso.

Foi bonito? Foi, mas ainda assim ela resolve voltar para o Sr. Perfeito. O Capitão América não gosta muito, afinal, ele é fodão, lembra? E só piora quando ela chama ele pra contar que ficou noiva. Dai o cara vira o bicho e até joga a aliança dela na areia da praia, dois segundos depois acha e devolve pra ela. Ele vai embora putinho, mas não desiste assim, fácil: enche a cara e vai na casa dela. Pula o portão do condomínio e começa o escândalo. Sr. Perfeito que agora já é caricato de Sr. Ridículo desce para tirar satisfação com ele. Mesmo sendo o Capitão América, por estar bêbado, apanha e com um soco na barriga vomita.

O então agora Sr. Ridículo sai de cena reclamando que a nojera acertou os sapatos caros que ele acabara de comprar, enquanto a donzela disputada vai ao encontro do bêbado caído e diz para ele desistir. Que ela não sente NA-DA por ele e ainda joga na cara dele a data do casamento.

O bonito vai pra casa rashtag chatiado. Outras coisas acontecem e pah, ele não pode perder o amor da vida dele. Partiu interromper o casamento dela e, como clichês não são suficientes, no final eles ficam juntos.

Seria fofo se… não, não tem como ser fofo. Estamos cansados de ver casos em que as pessoas não aceitam bem um fora e o baguio não acaba bem. Da um google rápido. Eu lembro de mulher que apanhou de um cara na balada porque não quis beija-lo e lembro de cara que teve a vida cagada por causa de mulher que não aceitou o fim do relacionamento. Não aceitar a rejeição não é fofo. Perseguir quem te deu o fora é assustador. Não romantizem isso.

Não estou falando que superar rejeição é fácil, não é. Eu sou a rainha de dormir na pia, aceitei muito mal a maioria dos foras que eu levei. Não confunda “não” com estar se fazendo de difícil. Há uma diferença nisso e você deve ser capaz de identificar.

Em todo os casos, Chris Evans, se você ler isso, choose me!

 

Não seja um babaca

Dia desses vi na minha time line um cara compartilhando que o esporte feminino que ele mais gostava de ver era o vôlei e para justificar sua predileção, lá estava um monte de fotos de jogadoras com bundas maravilhosas, agachadas esperando um passe, ou com a coluna inclinada para frente enquanto aguardavam o saque do time adversário.

Vamos lá, eu sei que você vai dizer que o mundo está ficando chato, que eu devo ser uma baranga-mal-comida-da-bunda-murcha e, por isso, estou reclamando desse assunto. Pode até ser recalque da minha parte, mas deixa eu tentar explicar meu lado.

Não é fácil conseguir apoio no esporte.

Não é fácil conseguir apoio em um esporte pouco conhecido (no caso da flag, especificamente falando).

Não é fácil conseguir apoio em um esporte pouco conhecido de um time feminino. E muito disso acontece, em muitos casos, porque 10 jogadoras em campo viram 10 bundas em campo. Sim, nós temos bundas. E sim, algumas delas são sensacionais. Mas por favor, não seja um babaca. Eu sei que pode ser difícil concentrar, mas a gente treinou tanto para estar lá que a gente gostaria muito que o jogo fosse analisado, não o corpo. Em vez de gritar “gostosa”, tente algo como “belo lançamento QB”, ou “bela interceptação nº 19”. Eu acompanhei a bunda do Hulk na última copa. Mas  nem por isso eu gritava “que abundância meu irmão” toda vez que ele pegava a bola.

Sei lá, além disso você pode ter uma irmã, namorada, prima que vão acabar entrando no time, vão ter babacas lá por elas também. Pense nisso.

A roupa utilizada no esporte dificilmente é escolhida para satisfazer o pensamento masculino. Levamos em consideração o conforto, em primeiro lugar, e claro, se nos sentimos bem. Roupa justa faz parte. Supere, gato.

 

 

Bacalhau

Numa dessas rodas clichês de amigos que começam a contar seus primeiros porres, seus piores porres, seus maiores micos por causa de bebida, o que não conseguem mais beber e assim por diante, eu comecei a perceber que cada bebida tinha um efeito diferente no meu organismo.

Vodka 

Assim como para a maioria das pessoas que eu conheço, beber vodka significa lembrar muito pouco do dia anterior, ou quase nada, ou nada. Eu acho que as marcas desse tipo de bebida podiam apostar no jargão “se eu não lembro, eu não fiz”. A Smirnoff que tá numa fase sincerona dessas de “um brinde pela vida real” escreveria: você pode até não lembrar, mas você fez e alguém deve ter filmado.

Eu bebia com qualquer coisa muito doce. Fanta, Coca, mas o preferido era Shweppes ❤ . Parei de beber no dia que minha mãe teve que me contar como eu cheguei no quarto e pelo o que ela descreveu, não foi bonito. Talvez ela estivesse mentindo pra me assustar, mas como eu não tenho a mínima ideia do que aconteceu, só pude acreditar.

Whisky 

Eu não gostava muito de whisky, então, torcia o nariz quando me ofereciam. Até esse ano. Esse ano apareceram com uma garrafa de Jack Daniels Honey. Se você não bebeu, não beba. É tipo a Nutella na fila do pão. Você vai gostar e vai querer mais. Você não precisa disso na sua vida.

Para mim foi uma máquina do tempo. Tava lá de boas achando que era duas horas da manhã, de repente sumiu todo mundo e ploft, olhei no relógio e já era 6h, ligada nos 220. No dia que eu fui na balada ruim a cerveja acabou às 2:30, eu tava reclamando, mas comecei a beber o whisky dos amigos e pronto, cheguei em casa 4:30.

Vinho 

A dois é a bebida do amor. Com amigos é a bebida das tretas bestas. Depois de cinco garrafas eu pulava na sala com o livro do Kotler na mão, discutindo com um controller sobre como preços eram formados. Esse cara e a esposa dele, eu e o Gian nunca mais bebemos vinho juntos.

Cerveja

Eu adoro cerveja. Eu morei na Alemanha e acho que por isso eu gosto muito de cerveja.

Com cerveja eu acho que é de boas inserir assuntos polêmicos no meio de uma conversa normal ou fazer interrogatórios. Tô lá falando sobre bacalhau e tam dam, pergunto se um amigo é gay. Pedi desculpas no dia seguinte.

Ou tô lá, falando sobre bacalhau e pá, interrogo um amigo que começou a namorar. Afinal, por que ele está com aquela pessoa? Pedi desculpas um ano depois.

Na última, eu me achei a blogueira famosa e entrevistei pessoas em uma balada, perguntando o que elas estavam achando da inauguração da casa, para um post (que eu ainda pretendo fazer).

Tequila

Eu adorava tequila. Até o dia que eu bebi e fiz cocô na calça. Fim.

***
PS1: me chamando pra beber, é importante estar ciente das consequências.
PS2: nunca mais me chamaram pra beber tequila.

 

 

Mavericks, baile-de-favela

A minha data predileta no ano é o carnaval e quando falaram que a Copa América de flag que disputaríamos no México pegaria o feriado, eu quase desisti de participar. Provavelmente meu carnaval teria sido ótimo, como foi em todos os outros anos, mas eu teria errado feio, errado rude!

O Gian, que tem dois pés na realidade, pediu para eu aproveitar a viagem, mas não esperar vencer o torneio, afinal, o time estava cheio de novatas e jogaríamos em condições bem distintas das que estávamos acostumadas. Bem, ele acertou quando disse que não venceríamos, mas aposto que não contava com um vice campeonato!

Minha expectativa pré-viagem era que o nosso time voltasse muito mais unido. Teve briga, teve choro, teve lavação de roupa suja. Mas teve também muita risada, muito companheirismo e muito cuidado com todos à nossa volta. Gente que eu achava que não gostava, ou que eu nem ia muito com a cara, ou que simplesmente não fedia nem cheirava já está me fazendo falta, e olha que eu tô em terras brasilis há 12 horas. A união pretendida ultrapassou o time feminino e interagimos muito com o nosso time masculino que sempre estava na side line com água, pra fazer sombra pré jogo, pra comemorar as “tipadas” e interceptações e pra atrapalhar os snaps dos times adversários, enquanto cantavam: la la la la He-Man!

Nossos coachs foram sensacionais. Principalmente da defesa, que eu faço parte. As palavras dele antes do último jogo ainda me dão nó na garganta. Eu tenho dois meses de time e foi muito treino. Estou longe de estar 100%, mas eu tenho certeza que se continuarmos juntos, vamos longe!

Eu achava que em clima de campeonato as equipes se detestavam e não se falavam. Mas né, a vida é feita de achismos que não fazem sentido: logo no primeiro dia de disputa nossa torcida já estava dançando funk com outro time do Brasil e no dia do último jogo do nosso masculino, rolou uma “festa” épica, inclusive com a equipe que eles jogaram contra naquele dia, com muita risada, danças esquisitas e tequila, é claro. No nosso último jogo as meninas que perderam da gente na partida anterior, continuaram na beira do campo nos apoiando, incentivando e pedindo garra contra as próximas adversárias!

Enfim, eu cheguei querendo ir embora, mas vim embora sabendo que sentiria falta dos 12 dias que passei lá. O que acontece em Vegas pode até ficar em Vegas, mas o que tivemos no México deve voltar para o Brasil e continuar pela vida toda!

E se o campeonato do ano que vem cair no carnaval, contem comigo. Aliás, contem sempre comigo!

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